Resolução BCB nº 587 libera o débito recorrente na conta-salário em 1º/7/2027 e cria a cobrança híbrida, que junta boleto e Pix, em 1º/2/2027
O Pix Automático na conta-salário passa a valer em 1º de julho de 2027: quem recebe o salário nesse tipo de conta vai poder pagar contas recorrentes direto dali. A mudança está na Resolução BCB nº 587, de 18 de setembro de 2026, do Banco Central, assinada pelo diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, Gilneu Francisco Astolfi Vivan.
A norma altera o regulamento do Pix e traz outras novidades: a cobrança híbrida, que permite pagar a mesma conta por boleto ou por Pix; um procedimento para as instituições marcarem contas com suspeita de fraude; e regras novas para a saída de instituições do sistema. Cada ponto tem a sua data de início.
Contexto
A conta-salário é a conta aberta para receber o pagamento de salários. A própria resolução a descreve como a conta destinada ao registro e ao controle do fluxo de recursos relativos ao pagamento de salários. Hoje, para usar esse dinheiro em pagamentos recorrentes, o titular precisa antes transferir o valor para outra conta, segundo a Radioagência Nacional.
O Pix Automático funciona desde 16 de junho de 2025, segundo o Relatório de Gestão do Pix do Banco Central. Ele é um débito automático feito pelo Pix: a empresa cobra a cada período, e o dinheiro sai da conta do cliente sem que ele precise aprovar cada pagamento, porque já deu uma autorização antes. Em dezembro de 2025, segundo o mesmo relatório, o serviço registrou quase 600 mil transações, que somaram R$ 133,2 milhões, e mais de mil empresas ofereciam essa forma de cobrança.
O que muda para você
A partir de 1º de julho de 2027, a conta-salário passa a aceitar o Pix Automático. Na prática, a conta de luz, a mensalidade da escola ou a da academia poderão ser debitadas dali, se a empresa oferecer essa opção e o titular autorizar.
O resto continua igual. A conta-salário segue sem poder receber outros tipos de Pix. As únicas exceções previstas na resolução são as transferências da Secretaria do Tesouro Nacional e as devoluções de transações Pix.
| Mudança | O que é | Começa em |
|---|---|---|
| Cobrança híbrida | a mesma cobrança pode ser paga por boleto ou por Pix | 1º/2/2027 |
| Pix Automático na conta-salário | débito recorrente direto da conta onde cai o salário | 1º/7/2027 |
| Marcação de suspeita de fraude e regras de exclusão | segurança e saída de instituições do Pix | na publicação da resolução |
Fonte: Resolução BCB nº 587/2026 (vigência escalonada no art. 5º).
Como funciona a autorização
Para o Pix Automático funcionar, o cliente autoriza a cobrança uma vez, no aplicativo do banco. O guia de implementação do Banco Central prevê quatro caminhos para isso:
- sem QR Code, com uma notificação no aplicativo para o cliente confirmar;
- com um QR Code que traz só os dados da cobrança recorrente;
- com um QR Code que junta o primeiro pagamento, feito na hora, e a autorização das cobranças seguintes;
- com um QR Code de pagamento ou agendamento que oferece, junto, a cobrança recorrente.
QR Code é o código quadrado que a câmera do celular lê. As cobranças podem ser semanais, mensais, trimestrais, semestrais ou anuais. Só empresas com CNPJ ativo podem cobrar dessa forma; o Pix Automático não serve para pagar pessoas físicas. O Banco Central proíbe que o banco cobre tarifa de quem paga.
Como fazer: os controles do cliente
O documento de perguntas e respostas do Banco Central sobre o Pix Automático lista o que quem paga pode fazer:
- definir um valor máximo para cada autorização. Se a cobrança passar desse teto, o débito não acontece, e o cliente é avisado para revisar o valor;
- cancelar a autorização ou um pagamento agendado até as 23h59 do dia anterior ao débito. Cancelar a autorização encerra as cobranças futuras; cancelar um pagamento não mexe nos seguintes;
- saber do débito com antecedência: a instrução de pagamento chega entre dois e dez dias corridos antes da data prevista;
- desligar as notificações, que vêm ligadas por padrão.
Se faltar saldo no dia, o banco do cliente é obrigado a tentar de novo entre 18h e 21h do mesmo dia. Se a autorização permitir, novas tentativas podem ser feitas nos sete dias seguintes.
Boleto ou Pix: a cobrança híbrida
A partir de 1º de fevereiro de 2027, uma cobrança feita pelo Pix Cobrança poderá ser apresentada de forma que também possa ser paga por boleto. A resolução chama isso de cobrança híbrida e limita a regra aos boletos comuns e dinâmicos que não estejam ligados a ativos financeiros. Segundo a Radioagência Nacional, quando o cliente pagar por um dos dois meios, o outro é cancelado automaticamente, o que evita pagar a mesma conta duas vezes.
Suspeita de fraude
A resolução cria a “notificação de infração para marcação de fundada suspeita de fraude transacional”. Na prática, a instituição pode registrar no sistema do Pix que uma conta tem suspeita fundada de ter sido usada em golpe. Ela tem de avisar o cliente sobre a marcação, informando, no mínimo, a data. Quando a marcação é contestada, a instituição tem até sete dias para decidir se a mantém ou a cancela. A marca fica ligada à conta por cinco anos.
A norma também reescreve as regras de exclusão de instituições do Pix. Segundo a Radioagência Nacional, a saída de instituições punidas passa a ter efeito imediato, e não mais em 30 dias.
O que vem a seguir
As próximas datas oficiais são 1º de fevereiro de 2027, quando começa a cobrança híbrida, e 1º de julho de 2027, quando a conta-salário passa a aceitar o Pix Automático. Até lá, bancos e empresas precisam adaptar sistemas e aplicativos.
Como funciona o regulamento do Pix
O Pix é um sistema de pagamentos criado e operado pelo Banco Central. Suas regras ficam na Resolução BCB nº 1, de 2020, conhecida como regulamento do Pix. Cada mudança chega por uma nova resolução que altera esse texto, como a de nº 587, publicada em setembro.
