Rodada extra, pedida depois da execução diária. Abstenção caiu para cerca de 19,2%; seis unidades da Federação elegeram governador no domingo
O resultado do 2º turno de 2026 confirmou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para mais um mandato na Presidência da República. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula teve 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) ficou com 59.826.041 votos, ou 48,21%.
A diferença entre os dois foi de 4.430.191 votos, pela conta feita a partir dos números do TSE. O resultado foi anunciado na noite de domingo (25) pelo presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques. No mesmo dia, seis unidades da Federação escolheram governador: Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins.
Quantos votaram
O TSE informou que mais de 158 milhões de eleitores estavam aptos a votar e que 128,2 milhões compareceram às urnas. A abstenção ficou em torno de 19,2%. No 1º turno, em 4 de outubro, a taxa tinha sido de 21,08%, segundo o tribunal. Ou seja, mais gente foi votar no segundo domingo do que no primeiro.
Somados, os votos válidos de Lula e Flávio chegam a 124.082.273. A diferença para os 128,2 milhões de eleitores que compareceram corresponde, de forma aproximada, aos votos brancos e nulos para presidente. O TSE não detalhou esses números nas páginas consultadas.
Os governadores eleitos
Em quatro das seis disputas, o vencedor já liderava no 1º turno. Mailza Assis (PP), no Acre, e Celina Leão (PP), no Distrito Federal, foram reeleitas. No Amazonas, Omar Aziz (PSD) venceu com 61,42% dos votos válidos. No Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos) teve 52,17%.
Em dois estados, a ordem do 1º turno se inverteu. No Rio Grande do Norte, Allyson Silva (União) tinha terminado a primeira rodada à frente, com 36,94%, contra 36,16% de Cadu de Lula (PT). No domingo, Cadu venceu com 50,77%, a disputa mais apertada entre os governos. No Tocantins, Professora Dorinha (União) liderou o 1º turno com 45,52%, mas Vicentinho Júnior (PSDB) ganhou o 2º turno com 64,52%.
| UF | Eleito (partido) | Votos (% válidos) | Adversário (partido) | Votos (% válidos) | Abstenção |
|---|---|---|---|---|---|
| AC | Mailza Assis (PP) | 272.635 (66,21%) | Alan Rick (Republicanos) | 139.108 (33,79%) | 26,09% |
| AM | Omar Aziz (PSD) | 1.273.975 (61,42%) | Professora Maria do Carmo (PL) | 800.328 (38,58%) | 21,68% |
| DF | Celina Leão (PP) | 987.142 (57,18%) | Leandro Grass (PT) | 739.130 (42,82%) | 17,37% |
| ES | Lorenzo Pazolini (Republicanos) | 1.151.818 (52,17%) | Ricardo Ferraço (MDB) | 1.056.119 (47,83%) | 19,48% |
| RN | Cadu de Lula (PT) | 1.073.024 (50,77%) | Allyson Silva (União) | 1.040.399 (49,23%) | 16,07% |
| TO | Vicentinho Júnior (PSDB) | 562.083 (64,52%) | Professora Dorinha (União) | 309.076 (35,48%) | 19,24% |
Fontes: notícias do TSE sobre cada eleição (AC, AM, DF, ES, RN, TO).
A maior abstenção entre as seis disputas foi a do Acre: 160.002 eleitores, ou 26,09%, não foram votar. A menor foi a do Rio Grande do Norte, com 16,07%.
Como foi a votação
Segundo o balanço do TSE, o 2º turno usou 499.248 urnas eletrônicas em mais de 95 mil locais de votação. Até o fim da apuração, 1.551 urnas, ou 0,31% do total, precisaram ser trocadas. Num balanço parcial divulgado às 17h, o número era de 900 urnas.
O tribunal também contabilizou 2.265 processos durante a campanha, entre eles 827 representações e 446 pedidos de direito de resposta. Representação é a ação usada para denunciar irregularidades, como propaganda fora da regra.
Uma decisão liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) prorrogou a votação das 17h para as 19h, no horário de Brasília, nas seções que ainda estavam abertas. Ao comentar o caso, Kassio Nunes Marques disse que “prorrogar uma eleição é possível, mas tem que ser pensado e estruturado”. O TSE publicou um esclarecimento sobre a prorrogação no domingo.
No discurso de encerramento, o presidente do TSE afirmou que “esta noite não pertence apenas às chapas eleitas” e agradeceu “ao povo brasileiro”.
O que muda para quem não votou
Quem não votou no 2º turno e não justificou no domingo tem até 8 de janeiro de 2027 para apresentar a justificativa, segundo o calendário eleitoral do TSE. O pedido pode ser feito pelo aplicativo e-Título, pelo Autoatendimento Eleitoral no site do TSE ou em qualquer cartório eleitoral. Depois do dia da eleição, é preciso anexar um documento que comprove o motivo da ausência.
Quem não justificar fica em débito com a Justiça Eleitoral e não consegue a certidão de quitação eleitoral. O débito pode ser pago por boleto, Pix ou cartão de crédito. Pela regra do TSE, faltar a três eleições seguidas sem justificar nem pagar a multa leva ao cancelamento do título.
O prazo para quem faltou ao 1º turno, em 4 de outubro, vai até 3 de dezembro de 2026.
O que vem a seguir
Com o resultado proclamado, a próxima etapa é a diplomação dos eleitos, feita pela Justiça Eleitoral. É o diploma que habilita o eleito a tomar posse. As datas da diplomação e da posse não aparecem nas páginas do TSE consultadas para este texto.
