Brasil teve 61 casos de sarampo em 2026, segundo o Ministério da Saúde; Américas somam 55.792 casos e 77 mortes, segundo a Opas
O Brasil registrou 61 casos de sarampo em 2026, importados ou relacionados à importação, segundo nota do Ministério da Saúde de 16 de outubro. O país continua certificado como livre da circulação endêmica da doença, mas o avanço do sarampo nas Américas, puxado por Guatemala, México e Estados Unidos, fez o ministério reforçar o pedido para que a população confira a vacina contra sarampo na caderneta.
“A vacina contra o sarampo é uma vacina de bloqueio. Quem se vacina não pega nem transmite”, disse à Agência Brasil Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Contexto: o surto nas Américas
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) contou 55.792 casos confirmados e 77 mortes na região entre 4 de janeiro e 3 de outubro de 2026, em 17 países e territórios. É 4,8 vezes o número do mesmo período de 2025, segundo a Opas, que classificou como “muito alto” o risco de espalhamento antes de grandes eventos religiosos no continente.
| País | Casos em 2026 | Mortes |
|---|---|---|
| Guatemala | 34.355 | 50 |
| México | 13.595 | 23 |
| Estados Unidos | 3.887 | 2 |
| Peru | 2.553 | 1 |
| Canadá | 1.121 | 0 |
| Brasil | 39 | 0 |
| Total das Américas | 55.792 | 77 |
Fonte: Opas, Situation Report nº 13, com dados até 3/10/2026. Guatemala e México somam 47.950 casos, 85,9% do total (conta própria). O número do Brasil é menor que o do Ministério da Saúde porque a data de corte é anterior.
Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) contabilizou 4.410 casos até 15 de outubro, em 47 jurisdições, com 3 mortes. Do total, 96% estão ligados a surtos. O Ministério da Saúde, citando o CDC, informa que é o maior número de casos no país em mais de 35 anos.
No Brasil, a situação é diferente. No relatório da Opas de 8 de outubro, o país aparece na categoria de importações esporádicas, sem transmissão sustentada.
Quem deve se vacinar
A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola e está disponível de graça nas unidades básicas de saúde. Segundo as páginas do Ministério da Saúde, o esquema é este:
- 12 meses: primeira dose, com a tríplice viral;
- 15 meses: segunda dose, com a tetraviral, que também protege contra a catapora;
- de 5 a 29 anos, para quem não se vacinou na idade certa: duas doses, com intervalo mínimo de 30 dias;
- de 30 a 59 anos: uma dose, para quem não comprova vacinação;
- profissionais de saúde: duas doses, em qualquer idade.
Em locais com surto, crianças de 6 a 11 meses podem receber a chamada dose zero. Ela não substitui as doses de 12 e 15 meses.
Quem já teve sarampo deve se vacinar mesmo assim, porque a vacina também protege contra outras doenças, segundo o ministério. Quem não lembra se tomou deve procurar o serviço de saúde para conferir e atualizar a caderneta.
Quem não pode tomar
A vacina é contraindicada para gestantes, que devem se vacinar depois do parto, e para menores de 6 meses. Também não podem tomar pessoas com imunossupressão grave, como quem faz quimioterapia, transplantados e pessoas com HIV com comprometimento grave, e quem já teve reação alérgica grave (anafilaxia) a componentes da vacina. Mulheres em idade fértil devem evitar engravidar por um mês depois da dose. Em caso de dúvida, a orientação é procurar a unidade de saúde.
Como consultar a caderneta
O ministério indica o Meu SUS Digital:
- abra o aplicativo Meu SUS Digital ou o site meususdigital.saude.gov.br;
- entre com a conta gov.br (CPF e senha);
- vá em “Minha Saúde” e depois em “Vacinas”;
- para baixar a carteira digital, use a aba “Documentos”.
Nem todas as vacinas aparecem, porque o registro é gradual. Se faltar alguma dose, a orientação é procurar a unidade que aplicou a vacina ou a Secretaria Municipal de Saúde.
Vai viajar?
A Nota Técnica Conjunta nº 116/2026 do Ministério da Saúde recomenda que viajantes atualizem a vacina de preferência 15 dias antes da viagem. Se não der, o mais cedo possível, inclusive no dia do embarque. Para quem viaja, o esquema é o mesmo: duas doses de 12 meses a 29 anos e uma dose de 30 a 59 anos. Crianças de 6 a 11 meses podem receber a dose zero.
Sinais de alerta
O sarampo começa com febre acima de 38,5 °C e manchas vermelhas que surgem na cabeça e descem para o corpo, acompanhadas de tosse seca, coriza ou conjuntivite. A transmissão é pelo ar, ao tossir, espirrar, falar ou respirar, de seis dias antes até quatro dias depois do aparecimento das manchas. Segundo o ministério, um doente pode transmitir o vírus para 90% das pessoas próximas que não estão protegidas. Febre que continua depois das manchas é sinal de alerta, principalmente em menores de 5 anos.
Não há tratamento específico. As complicações incluem pneumonia, otite e encefalite (inflamação do cérebro), e a doença pode matar de 1 a 3 em cada 1.000 crianças doentes, segundo o ministério. Quem tiver sintomas deve procurar uma unidade de saúde.
O que vem a seguir
A Opas vai revisar em novembro de 2026 se Estados Unidos e México mantêm o status de eliminação do sarampo. O Canadá perdeu o status em novembro de 2025, o que tirou das Américas o título de região livre da doença.
Como funciona a certificação
Um país perde o certificado de livre do sarampo quando a transmissão do mesmo vírus dura mais de 12 meses. O Brasil recebeu o certificado em 2016 e o perdeu em 2019, ano em que teve mais de 20 mil casos. Foi recertificado pela Opas em 12 de novembro de 2024. Entre 2023 e 2025, foram 43 casos e nenhuma morte, segundo o ministério.
