A decisão da autoridade britânica de publicidade mostra como as regras sobre apostas estão se tornando mais rígidas quando envolvem figuras populares entre adolescentes.
O que aconteceu?
A Advertising Standards Authority (ASA), órgão que regula a publicidade no Reino Unido, proibiu dois anúncios da plataforma de comparação de apostas Oddschecker que utilizavam imagens de:
Harry Kane
Erling Haaland
Segundo a ASA, ambos possuem forte apelo junto a menores de 18 anos e, portanto, não podem ser usados para promover produtos relacionados a apostas.
Quais eram os anúncios?
Um dos anúncios destacava as apostas em Kane para vencer a Bola de Ouro de 2026.
O outro mostrava Haaland associado ao volume de apostas na seleção da Noruega para a Copa do Mundo de 2026.
Embora a empresa tenha argumentado que o conteúdo era mais “editorial” do que publicitário, a ASA entendeu que as publicações tinham finalidade promocional para um serviço ligado a apostas.
Por que isso é importante?
As regras britânicas determinam que propagandas de jogos de azar não podem utilizar pessoas que tenham forte influência sobre crianças e adolescentes.
A lógica é evitar que:
jovens associem apostas ao sucesso esportivo;
ídolos do futebol incentivem indiretamente o jogo;
marcas usem a popularidade de atletas para atrair novos apostadores menores de idade.
Por que Kane e Haaland foram considerados problemáticos?
A ASA avaliou que ambos são:
estrelas globais do futebol atual;
amplamente acompanhados por adolescentes;
protagonistas frequentes de videogames, redes sociais e campanhas esportivas.
Por isso, o órgão concluiu que eles exercem influência significativa sobre menores.
E por que Thierry Henry foi liberado?
Em uma decisão separada, a ASA permitiu um anúncio com Thierry Henry.
O entendimento foi que Henry, apesar de muito famoso, encerrou sua carreira há anos e atualmente atua como comentarista esportivo, possuindo menor apelo direto junto ao público adolescente atual quando comparado a Kane e Haaland.
Tendência mundial
O caso reflete uma tendência observada em diversos países: aumentar as restrições à publicidade de apostas esportivas.
Governos e reguladores vêm demonstrando preocupação com:
crescimento do vício em jogos;
exposição de menores a conteúdos de apostas;
associação entre esportes e plataformas de apostas;
influência de celebridades e atletas sobre públicos jovens.
O debate também tem ganhado força no Brasil, onde o crescimento das chamadas “bets” levou à criação de novas regras de publicidade, patrocínio e operação do setor.
