Seleção soma 10 ouros e quatro recordes das Américas na Cidade do México; pontos contam para Los Angeles 2028
O Brasil chega ao último dia do Open das Américas de halterofilismo paralímpico, na Cidade do México, na liderança isolada do quadro de medalhas. Segundo o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), a seleção somou 23 medalhas em quatro dias de provas individuais: 10 de ouro, 7 de prata e 6 de bronze. A Colômbia vem em segundo, com 3 ouros, 3 pratas e 1 bronze. A competição termina nesta quinta-feira (8), com as disputas por equipes.
O torneio vale mais que medalha. O CPB informa que o Open das Américas faz parte do calendário obrigatório do World Para Powerlifting (WPPO), o braço do Comitê Paralímpico Internacional para a modalidade. Os pontos somados no México contam para o ranking de classificação aos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028.
Contexto: o caminho até Los Angeles
A classificação para 2028 sai de um ranking por categoria de peso. Segundo o CPB, além do Open das Américas, só os próximos Mundiais do ciclo paralímpico vão pontuar. Por isso, cada quilo levantado na Cidade do México pesa na disputa pela vaga.
O Brasil levou ao México 25 atletas, de acordo com o anúncio do CPB de 1º de outubro. Vários deles saíram da competição entre os dez primeiros do ranking de suas categorias.
Dia a dia: quanto o Brasil ganhou
O quadro abaixo foi montado a partir dos boletins diários do CPB.
| Dia | Ouro | Prata | Bronze | Total |
|---|---|---|---|---|
| Domingo (4/10) | 2 | 1 | 1 | 4 |
| Segunda (5/10) | 1 | 0 | 2 | 3 |
| Terça (6/10) | 4 | 3 | 0 | 7 |
| Quarta (7/10) | 3 | 2 | 3 | 8 |
| Acumulado divulgado pelo CPB | 10 | 7 | 6 | 23 |
Fonte: boletins diários do CPB de 5, 6 e 7/10. Conta própria por dia; a soma das linhas dá 22 medalhas (6 pratas), uma a menos que o acumulado divulgado pelo CPB.
Os recordes
Quatro brasileiros bateram recordes das Américas, segundo o CPB:
- Marco Túlio Cruz (MG), até 49 kg: 178 kg, um quilo acima da marca que ele mesmo tinha feito no Mundial do Cairo. É a segunda melhor marca do ranking para Los Angeles.
- Mariana D’Andrea (SP), até 73 kg: 146 kg, um quilo acima do próprio recorde continental, de 2024. Com isso, a bicampeã paralímpica assumiu a liderança do ranking da categoria.
- Tayana Medeiros (RJ), até 86 kg: 151 kg, contra 150 kg da marca anterior, feita nos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar. Ela tentou ainda o recorde mundial de 160 kg, mas a arbitragem não validou o levantamento.
- Gustavo Amaral de Souza (RJ), acima de 107 kg: 255 kg. A marca histórica do continente era de 252 kg. Ele também passou a liderar o ranking da categoria.
Lara Lima (MG) igualou o recorde das Américas da categoria até 45 kg, com 110 kg. Ailton de Souza (PB), ouro até 80 kg com 201 kg, e Jean Rufino (MG), prata até 107 kg com 226 kg, bateram recordes brasileiros.
Quem subiu ao pódio
Os outros ouros vieram com Maria Rizonaide da Silva (RN), até 50 kg, com 101 kg; Laira Guimarães (SP), até 67 kg, com 109 kg; Maria de Fátima de Castro (AM), até 79 kg, com 135 kg; e Edilândia Araújo (BA), acima de 86 kg, com 142 kg.
Houve pratas para João Maria França (RN), Naira Cruz (PA), Caroline Fernandes (MG), Gabrielle Lima (DF), Alane Dantas de Lima (RN) e Jean Rufino. Os bronzes foram de Brenda Pepe (SP), Cristiane Reis (MG), Ana Paula Marques (RS), Valéria dos Santos (BA), Washington Bispo de Souza (MG) e Mateus de Assis (MG).
Laira Guimarães, Naira Cruz e Maria de Fátima de Castro trocaram de categoria neste ciclo. Maria de Fátima, bronze em Paris 2024 na categoria até 67 kg, agora compete até 79 kg e já aparece entre as cinco melhores do ranking.
O que vem a seguir
Nesta quinta-feira (8), o Open termina com as disputas por equipes feminina, masculina e mista. O CPB não divulgou os horários. No calendário nacional, o Campeonato Brasileiro Loterias Caixa de Halterofilismo está marcado para 4 a 6 de dezembro, em São Paulo, segundo a página da modalidade no site do comitê.
Como funciona o halterofilismo paralímpico
A modalidade é disputada por atletas com deficiência nos membros inferiores, como amputados e lesionados medulares, e por pessoas com paralisia cerebral. O movimento é o supino, feito deitado num banco. O atleta segura a barra com os braços estendidos, desce até tocar o corpo, faz uma pausa e sobe de volta.
Cada competidor tem três tentativas, e vale o maior peso levantado. Três árbitros julgam cada tentativa, com bandeira branca para movimento válido e vermelha para inválido. O levantamento só conta com pelo menos duas bandeiras brancas.
Há uma classe única, dividida por peso corporal. São dez categorias no masculino, de até 49 kg a acima de 107 kg, e dez no feminino, de até 41 kg a acima de 86 kg.
