sexta-feira, 02 de outubro de 2026
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'Nem acreditam que sou cego', diz MC Leozinho ZS, destaque entre mais ouvidos do país

O cantor MC Leozinho ZS Reprodução/Instagram Hoje, um dos MCs que melhor retratam a realidade das periferias de São Paulo é MC Leozinho ZS, de 26 anos, cego desde os…

'Nem acreditam que sou cego', diz MC Leozinho ZS, destaque entre mais ouvidos do país

Aos 26 anos, MC Leozinho ZS vive o momento de maior destaque de sua carreira. Cego desde os oito meses de idade, quando teve meningite, o funkeiro alcançou o quarto lugar entre as músicas mais ouvidas do Brasil no Spotify com “Tá Pedindo Toma”, faixa do álbum “Na Contramão”, lançado em julho.

Em entrevista ao g1, o cantor afirmou que trata a deficiência com naturalidade e que não a considera um obstáculo para sua carreira. Autodidata, ele aprendeu a compor, produzir e trabalhar com programas de áudio utilizando recursos de acessibilidade e comandos de voz.

“Não levo a deficiência como um tabuzão. Eu consigo fazer tudo”, afirmou o artista.

“Tá Pedindo Toma” reúne Murilo MT, DR, RN do Capão e Pelourinho, além do produtor JHOW BEATS. Segundo Leozinho, os artistas foram escolhidos principalmente pela amizade e pela ligação com o Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo, onde ele nasceu e cresceu.

A música tem mais de quatro minutos e utiliza o Toyota Corolla como elemento central dos versos. Para Leozinho, o carro representa um símbolo de conquista. “Sempre foi meu sonho ter um. Ainda vou realizar”, contou.

Do funk explícito ao consciente

Leozinho ZS começou no funk há mais de dez anos, período em que músicas de temática sexual estavam em alta. Depois de uma fase inicial seguindo essa tendência, o artista passou a investir no chamado funk consciente, com letras inspiradas no cotidiano das periferias paulistanas.

O trabalho chamou a atenção de nomes conhecidos do gênero, como MC Hariel e Neguinho do Kaxeta, que também é considerado seu ídolo e padrinho musical.

Para Leozinho, a deficiência não define sua capacidade de retratar a realidade das comunidades onde cresceu. As letras são inspiradas em histórias que ouve de amigos e pessoas que encontra no cotidiano.

“Eu nasci e morei na favela quase minha vida inteira. As letras são histórias que vou ouvindo dos parceiros. Para mim, é algo natural falar disso, é o que eu vivo”, explicou.

O álbum “Na Contramão” também representa essa escolha artística. Enquanto parte do mercado aposta em músicas sobre ostentação e bens materiais, Leozinho decidiu priorizar histórias de superação e crônicas sociais. Das 12 faixas do disco, “Tá Pedindo Toma” é a principal exceção voltada para um clima de festa.

“No ‘Na Contramão’ eu quis trazer uma música de festa, que é destaque hoje em dia, mas quis focar no consciente”, afirmou o cantor.

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