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'Show dos hormonizados': influencers fazem uso de anabolizantes virar espetáculo nas redes

Como influenciadores transformaram o uso de anabolizantes em entretenimento nas redes sociais Aplicações de hormônios diante das câmeras, relatos sobre ciclos de uso e transformações físicas acompanhadas por milhões de…

'Show dos hormonizados': influencers fazem uso de anabolizantes virar espetáculo nas redes

A reportagem destaca uma mudança importante no ambiente digital: o uso de anabolizantes deixou de ser apenas um tema discutido em academias e competições de fisiculturismo e passou a ser tratado como conteúdo de entretenimento por influenciadores, alcançando milhões de jovens nas redes sociais.

Principais pontos da reportagem

  • Influenciadores passaram a compartilhar aplicações de hormônios, ciclos de uso e transformações físicas em vídeos e transmissões ao vivo.
  • Expressões como “tomar suco” (gíria para uso de anabolizantes) ajudaram a popularizar e normalizar o consumo dessas substâncias.
  • A venda legal de testosterona no Brasil cresceu mais de 700% nos últimos sete anos, refletindo a expansão desse mercado.
  • A morte do influenciador Gabriel Gumley, aos 22 anos, trouxe novamente atenção aos riscos associados ao uso de hormônios. A causa definitiva da morte ainda depende de exames complementares, embora um laudo preliminar tenha apontado morte súbita relacionada a um problema cardíaco.
  • Especialistas alertam que não existe evidência científica de que o uso não terapêutico de anabolizantes seja isento de riscos.

Quais são os riscos dos anabolizantes?

O uso de esteroides anabolizantes pode estar associado a:

  • Hipertensão arterial;
  • Alterações no colesterol;
  • Aumento do risco de infarto e AVC;
  • Crescimento anormal do músculo cardíaco;
  • Problemas hepáticos;
  • Alterações hormonais e infertilidade;
  • Acne severa;
  • Mudanças de humor, ansiedade e agressividade;
  • Dependência psicológica.

Os riscos aumentam quando há uso de doses elevadas, combinação de várias substâncias (“stacks”) ou utilização sem acompanhamento médico.

O papel das redes sociais

A preocupação dos especialistas não se limita ao uso dos hormônios em si, mas à forma como o tema é apresentado:

  • Aplicações são exibidas como algo divertido ou comum.
  • Transformações físicas rápidas recebem grande destaque.
  • Os riscos costumam aparecer menos do que os benefícios estéticos.
  • Jovens podem interpretar o uso como um passo necessário para alcançar determinado padrão corporal ou sucesso nas redes.

Esse fenômeno está ligado ao que pesquisadores chamam de “normalização do risco”: quando uma prática potencialmente perigosa passa a parecer comum porque é vista repetidamente em conteúdos de entretenimento.

O que dizem os especialistas?

Segundo os médicos entrevistados na reportagem, a ideia de um uso recreativo totalmente seguro de anabolizantes não é sustentada pelas evidências científicas atuais. Embora o acompanhamento médico possa reduzir alguns riscos em situações clínicas específicas, o uso com objetivo exclusivamente estético continua associado a possíveis complicações de saúde.

Debate mais amplo

O caso também levanta uma discussão sobre os incentivos das plataformas digitais. Corpos extremamente musculosos, transformações rápidas e conteúdos polêmicos costumam gerar mais visualizações, curtidas e engajamento. Isso pode criar pressão para que influenciadores produzam conteúdos cada vez mais extremos em busca de audiência.

Em resumo, a reportagem argumenta que o problema não é apenas o uso de anabolizantes, mas a forma como ele vem sendo transformado em espetáculo nas redes sociais, muitas vezes sem que os riscos sejam apresentados com a mesma intensidade dos resultados estéticos.