Sistemas de monitoramento com inteligência artificial estão deixando de apenas registrar ocorrências para também identificar comportamentos considerados fora do padrão e emitir alertas sobre possíveis situações de risco.
Conhecida como policiamento preditivo, a tecnologia analisa imagens de câmeras e transforma movimentos em dados para reconhecer padrões. Se uma pessoa permanece parada por muito tempo ou um veículo circula em local inadequado, por exemplo, o sistema pode sinalizar a situação para que um operador faça a avaliação.
Empresas de segurança já utilizam essas ferramentas em indústrias, condomínios e outros ambientes privados. A promessa é ampliar a capacidade de monitoramento e reduzir a sobrecarga dos profissionais responsáveis por acompanhar as câmeras.
O avanço, porém, também gera preocupação. Especialistas alertam que sistemas pouco transparentes podem cometer erros, reproduzir vieses presentes nos dados utilizados para treinamento e aumentar a vigilância sobre cidadãos que não cometeram nenhum crime.
No Brasil, ainda não existe uma legislação específica para o policiamento preditivo. A LGPD estabelece regras para o tratamento de dados pessoais sensíveis, enquanto propostas em discussão no Congresso buscam estabelecer controles adicionais para sistemas de inteligência artificial considerados de alto risco.
O principal desafio, segundo especialistas, é encontrar um equilíbrio entre o uso da tecnologia para reforçar a segurança e a preservação de direitos fundamentais, como privacidade, liberdade de circulação e proteção contra discriminação.
