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O Avanço dos Independentes na Música: Uma Nova Era de Oportunidades

Descubra como artistas fora das grandes gravadoras estão conquistando o mercado e o que isso significa para o futuro da indústria musical. O cenário musical está passando por…

O Avanço dos Independentes na Música: Uma Nova Era de Oportunidades

Descubra como artistas fora das grandes gravadoras estão conquistando o mercado e o que isso significa para o futuro da indústria musical.

O cenário musical está passando por uma transformação e tanto! Uma pesquisa recente do Spotify revelou uma tendência surpreendente: em 2025, mais de um terço dos artistas que faturaram US$ 10 mil ou mais em royalties na plataforma eram independentes. Isso mostra que o caminho fora das grandes gravadoras está cada vez mais sólido e lucrativo para os artistas.

Essa informação chega para reforçar o que já vínhamos observando. Há quase dois anos, um estudo da Midia Research já apontava que a música independente já representava 46,7% do mercado em 2023. Mas o que exatamente significa ser um artista independente? Basicamente, são aqueles que trilham seu caminho sem o amparo de gigantes como Sony, Warner e Universal, optando por lançar suas músicas por conta própria, muitas vezes através de distribuidoras independentes. Na era do streaming, essa modalidade se tornou um verdadeiro portal de entrada para novos talentos.

Hoje em dia, para capturar a atenção de uma gravadora, o talento puro não basta; os “números” falam muito alto. No entanto, muitos artistas que já têm uma carreira estabelecida também estão fazendo a escolha de encerrar seus contratos e abraçar o modelo independente. Diogo Nogueira, por exemplo, compartilhou sua experiência no podcast g1 Ouviu, contando como decidiu seguir carreira solo:

“Fiquei durante muitos anos dentro de gravadora. E a partir do momento que eu vi que, para mim, não estava sendo legal, apenas fiz um acordo com eles, saí e resolvi fazer minha carreira independente.”

Ele complementou, falando sobre os desafios e recompensas dessa jornada:

“Estou há oito anos independente. É mais difícil, a gente tem que trabalhar mais. Mas como temos muitas amizades e tem pessoas que gostam da gente, do nosso trabalho, a gente consegue também trabalhar de uma forma bacana”.

O que esses números realmente significam?

Diante desse cenário, surge a pergunta: as gravadoras estão fadadas ao desaparecimento? Vale a pena se desvincular delas? Quais são os prós e contras de ser um artista independente? Para desvendar essas questões, conversamos com especialistas que nos ajudaram a entender melhor essa ascensão.

Gustavo Deppe, um advogado especializado em direito autoral na música, explica que um artista que gera pelo menos US$ 10 mil em royalties já é considerado um artista “midstream”. Ou seja, ele não é um gigante do mainstream, mas possui uma base de fãs sólida, com centenas de milhares ou até milhões de plays mensais no Spotify. “O mercado hoje está muito nichado, mas, categoricamente, eu consigo dizer que é um artista que, se consegue fazer isso constantemente, tem uma base de fãs sólida”, afirma Deppe.

Ele também ressalta que, apesar da facilidade atual na produção e distribuição musical, é crucial que o artista independente construa uma equipe para gerenciar as outras facetas do seu projeto. “Hoje em dia, a parte da criação musical está muito mais fluida. Você consegue, no seu quarto, fazer uma música bem satisfatória para o Spotify que pode chegar no top 50, top 10. Ou top 1, quem sabe, se viralizar. Mas esse artista que quer ser independente precisa ter alguma estrutura para montar uma equipe, o que é extremamente custoso”. “É uma atividade empresarial, então tem que ter cabeça de empresário. O que é muito difícil porque você tem que tomar decisões econômicas toda hora. É possível? Perfeitamente. Antigamente era quase impossível você conseguir. Porque tinha uma barreira na distribuição muito grande, porque a distribuição era física.”

Independência Total? Os Desafios da Autogestão

A liberdade criativa e a independência são os grandes atrativos para artistas que deixam as grandes gravadoras. Contudo, essa autonomia vem acompanhada de desafios consideráveis. Luedji Luna, em uma conversa anterior com o g1, descreveu como pode ser “cansativo você ser sua única investidora sempre” e expressou o desejo de ter “um motor ali empurrando seu barquinho”, alguém para remar junto. Ela questionou se ter público fiel, shows esgotados e respeito crítico não seriam suficientes para impulsionar sua carreira sem a necessidade de uma gravadora tradicional.

Além disso, a falta de uma estrutura de apoio força o artista a se tornar multifacetado. André Izidro, CEO e cofundador da Atabaque e Rumpi, destaca a necessidade de dominar diversas áreas: “Você precisa dominar várias disciplinas. Cada vez mais você tem que entender da parte burocrática, ter o especialista ou se tornar especialista de marketing digital, entender de negociação de royalties, de mídia e tráfego, de redes sociais. Você não é só independente. No final, você é uma empresa”.

A Rumpi, plataforma focada em artistas independentes, busca centralizar esses processos, desde a gestão de royalties e contratos até direitos conexos e dados de performance. André compara a situação com o dono de uma padaria que começa fazendo tudo, mas que para crescer precisa entender o negócio a fundo e contratar as pessoas certas. Para ele, quem entende todas as etapas tem mais facilidade em encontrar e gerenciar talentos.

Nando Reis, que se tornou independente em 2011 após sua antiga gravadora não renovar o contrato, compartilhou em vídeo sua trajetória. Ele falou sobre a importância de se cercar de profissionais qualificados e sobre o amadurecimento pessoal e profissional que a independência trouxe.

“Quando estava em gravadoras, realimentava um lado meu que era relapso. Um pouco de credulidade, um pouco de preguiça, é chato pra *. Números, reuniões, vigilância, direitos, enfim… eu tive que passar nesse momento, revisar os meus contratos antigos com gravadoras nas novas bases e essa é uma luta onde há interesses distintos”, afirmou o artista, que hoje, tem seu selo independente.

Ele ainda adicionou sobre a disciplina necessária:

“Eu vivi durante anos achando que subir ao palco era festa, ser doidão. Uma das coisas que me ajudou a tomar nessa decisão de parar de usar qualquer coisa que altere minha consciência foi ser um artista independente. Não dá, não existe, não tem ninguém tomando conta.”

O Fim das Gravadoras? Uma Nova Dinâmica

É comum ouvir falar sobre o possível fim das gravadoras, mas os especialistas entrevistados não compartilham dessa visão. Odilon Borges, sócio e cofundador da Atabaque e do Rumpi, acredita que o conceito de “fim das gravadoras” é mais um chamariz do que a realidade. Ele pontua que a ascensão de artistas como Billie Eilish, que alcançou o sucesso com produções caseiras, não significa o fim de um modelo de negócios consolidado.

“Não é o fim das gravadoras, porque ainda as marcas batem muito lá. Acho que tem o espaço de cada um. A gravadora não vai se preocupar tanto com o artista midstream, ela quer focar no Caetano Veloso. Então a máquina já tá azeitada, nada muda de uma hora pra outra. Hoje a gravadora não é o único caminho, mas ainda não dá pra falar do fim delas”, explica Borges.

André complementa, destacando que, apesar do crescimento da música independente, as gravadoras ainda detêm metade da receita global da indústria. “Eles ainda continuam no topo da pirâmide. Eu acho que o que esse modelo de distribuição independente fez foi capilaridade. Quando você facilita esse lugar de entrada de vários títulos de uma vez só, você abre espaço realmente para os independentes estarem ali”, analisa.

Ele sugere que as gravadoras estão se transformando em instituições financeiras, focando em dados e adiantando dinheiro, com menos ênfase no desenvolvimento de carreira a longo prazo. “Eu tenho batido na tecla de que as gravadoras têm virado cada vez mais banco, porque estão ligadas cada vez mais a dados. E o diferencial deles é adiantar dinheiro no tempo, comprar catálogo. Eles estão com menos olhar e menos apetite quando a gente fala para desenvolvimento de carreira”, conclui.

Em alguns mercados, fazer parte de produtoras pode ser mais vantajoso para os artistas do que estar atrelado a gravadoras, focando mais na realização de shows e eventos do que na distribuição musical.