Na última segunda-feira (25), tive a honra de estar presente no Roda Viva, da TV Cultura, representando a Jovem Pan. O centro das atenções era ninguém menos que Cafu, o último capitão a levantar a taça de campeão mundial pelo Brasil, há 24 anos. Aos 53 anos, ele se prepara para um novo papel na próxima Copa, como representante da FIFA.
Durante a entrevista, o papo inevitavelmente fluiu para a relação do torcedor com a amarelinha. Cafu foi direto ao concordar que somente um bom desempenho em campo pode reacender a chama da identificação do brasileiro com a seleção. Quando questionado sobre os motivos desse distanciamento, se eram os resultados ruins ou a crise na CBF, ele foi categórico:
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Acho que os dois fatores foram fundamentais para contribuir com isso. Mas o que mais pesou foram os resultados negativos. Quando os resultados ruins acontecem dentro de campo, isso realmente acaba afastando um pouco o torcedor da seleção brasileira.” – explicou Cafu, ao analisar a situação atual.
Apesar do jejum de 24 anos sem o título mais cobiçado, o ex-lateral ressaltou que a esperança do torcedor nunca morre. Ele acredita que a simples convocação já traz um sopro de alegria e expectativa.
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A convocação da seleção brasileira fez com que o povo e o torcedor brasileiro voltassem a ter esperança e alegria para torcer pela seleção, independentemente dos problemas que a CBF enfrentava.” – pontuou o capitão do penta.
É claro que um dos assuntos mais quentes na mesa foi a convocação de Neymar. Cafu, que trabalhou com Carlo Ancelotti por cinco anos no Milan, elogiou a inteligência tática do treinador italiano e destacou a importância do craque brasileiro.
“Ancelotti é um treinador muito estrategista e muito inteligente. Trabalhei com ele durante cinco anos no Milan. Ele vem estudando todos os atletas que tem convocado, inclusive os que ainda não convocou, como é o caso do Neymar. Mas o Neymar, bem física e tecnicamente, é uma peça fundamental para a seleção brasileira”, afirmou Cafu.
O capitão do pentacampeonato deposita suas fichas no período de preparação até a estreia contra Marrocos, em 13 de junho. Ele acredita que, mesmo com o tempo curto, Neymar será testado e, se estiver em condições, será vital para o grupo. Mais do que um jogador, ele enxerga o camisa 10 como um líder.
Fora dos gramados, Cafu revelou um sonho: ser treinador, especialmente de categorias de base. Ele também falou com orgulho sobre o trabalho social que desenvolve no Jardim Irene, bairro que ele homenageou na final da Copa de 2002, escrevendo na camisa “100% Jardim Irene”. Essa é a história de um ídolo que saiu da extrema pobreza para conquistar o mundo, sendo o único jogador a disputar três finais de Copa do Mundo.
