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'Waka Waka', 'The Cup of Life'… Qual é a fórmula dos hits de Copa do Mundo?

Qual é a fórmula do hit de Copa do Mundo? A Copa do Mundo não costuma agitar só o universo do futebol, como também o da música: toda edição, artistas…

'Waka Waka', 'The Cup of Life'… Qual é a fórmula dos hits de Copa do Mundo?

A Copa do Mundo movimenta muito mais do que o universo do futebol. A cada edição, artistas de diferentes países lançam músicas na tentativa de criar o próximo grande hino do torneio. Mas transformar uma canção em um sucesso global está longe de ser uma tarefa simples.

Afinal, uma música da Copa precisa dialogar com o esporte, atravessar barreiras culturais e conquistar públicos de diferentes idades e nacionalidades. Talvez por isso existam poucos exemplos realmente inesquecíveis. E é justamente por isso que só existe uma “Waka Waka”.

Mas o que os maiores sucessos das Copas do Mundo têm em comum? Com base em hits como “Waka Waka”, de Shakira; “Wavin’ Flag”, de K’Naan; e “The Cup of Life”, de Ricky Martin, é possível identificar alguns elementos que ajudam a explicar esse fenômeno.

A construção da jogada

Os grandes hits da Copa costumam compartilhar características bastante semelhantes. Em geral, são músicas otimistas, feitas para empolgar e transmitir uma sensação de celebração. Afinal, ninguém espera uma trilha melancólica para acompanhar o maior torneio esportivo do planeta.

A letra, por si só, nem sempre é o fator decisivo. Como a Copa reúne pessoas de diferentes idiomas, o mais importante costuma ser a sonoridade. São músicas que crescem ao longo da execução e terminam transmitindo uma sensação de vitória, superação ou festa.

Algumas apostam mais na emoção, como “Wavin’ Flag”, que funciona quase como um hino motivacional. Outras preferem a celebração pura e simples, caso de “Waka Waka” e “The Cup of Life”.

Mas todas têm algo em comum: soam grandiosas. E faz sentido. Estamos falando de um evento global, disputado diante de estádios lotados e acompanhado por bilhões de pessoas. Não há muito espaço para minimalismo.

Outro elemento recorrente é a presença marcante da percussão. Ritmos fortes e pulsantes criam uma sensação de movimento e energia que combina naturalmente com o futebol. Não por acaso, muitas dessas músicas parecem convidar o público a dançar.

O chute ao gol

Se existe um segredo indispensável para um hit da Copa, ele está no refrão.

As músicas mais bem-sucedidas costumam ter um trecho simples, marcante e fácil de ser cantado por multidões. É aquele momento pensado para ecoar nos estádios, nas ruas e nas comemorações.

Geralmente, esses refrões utilizam vogais abertas, sílabas curtas ou expressões universais que dispensam tradução. Em muitos casos, as próprias gravações já sugerem isso ao incluir vozes em coro, simulando uma multidão cantando junto.

“The Cup of Life” eternizou o famoso “olê, olê, olê”. “Waka Waka” ficou marcada pelo “waka waka ê ê”. Já “Wavin’ Flag” aposta em um longo “ôôôô”, daqueles que qualquer torcida consegue repetir instantaneamente.

É justamente essa simplicidade que transforma uma música em experiência coletiva.

Nem sempre os protagonistas vêm dos Estados Unidos

Curiosamente, apesar da força da indústria musical americana, os maiores hits da história das Copas não costumam ser protagonizados por artistas dos Estados Unidos.

As músicas quase sempre incluem versos em inglês, idioma considerado mais acessível ao público global. Mas os intérpretes geralmente vêm de outras regiões do mundo, especialmente da América Latina, da África ou da Europa.

Há exceções. “We Are One (Ole Ola)”, da Copa de 2014, contou com Pitbull, Jennifer Lopez e Claudia Leitte. Ainda assim, Pitbull e Jennifer Lopez carregam fortes raízes latinas em suas trajetórias artísticas.

Parte dessa tendência pode ser explicada pela relação histórica dos Estados Unidos com o futebol. Embora o esporte tenha crescido no país nas últimas décadas, ele ainda não ocupa o mesmo espaço cultural que possui em outras regiões.

O craque da vez

Para a Copa de 2026, a FIFA voltou a apostar em Shakira, desta vez ao lado de Burna Boy, na música “Dai Dai”.

A escolha reforça uma tendência recente de incorporar influências africanas às trilhas do torneio, mas também inevitavelmente convida à comparação com “Waka Waka”, considerada por muitos o maior hit da história das Copas.

“Dai Dai” tem potencial para ganhar espaço durante a competição, impulsionada pelo alcance global de seus intérpretes e pela exposição oficial da FIFA. Ainda assim, repetir o impacto cultural de “Waka Waka” parece uma missão difícil.

Afinal, além da fórmula certa, os grandes hinos da Copa também dependem de algo impossível de reproduzir: o momento certo. E isso, assim como no futebol, muitas vezes é questão de talento, contexto e um pouco de sorte.