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Tarifas do Canadá sobre produtos dos EUA entram em vigor após fracasso em negociações; entenda a disputa entre os dois países

O presidente dos EUA, Donald Trump, recebe o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, na Casa Branca em Washington, D.C., EUA, 7 de outubro de 2025. REUTERS/Evelyn Hockstein/Foto de arquivo O…

Tarifas do Canadá sobre produtos dos EUA entram em vigor após fracasso em negociações; entenda a disputa entre os dois países

O Canadá começou a aplicar nesta terça-feira (8) novas tarifas de 15%, 25% e 50% sobre produtos importados dos Estados Unidos, em mais um capítulo da guerra comercial entre os dois países.

As medidas atingem mercadorias americanas avaliadas em 27,6 bilhões de dólares canadenses, cerca de US$ 20 bilhões (R$ 103 bilhões). A lista inclui produtos como aço, alumínio, laticínios, eletrodomésticos, equipamentos agrícolas, papel e celulose, plásticos e componentes eletrônicos.

As tarifas são uma retaliação às barreiras impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos canadenses. As novas medidas foram anunciadas após o fracasso das negociações entre os governos dos dois países em agosto.

Como funcionam as novas tarifas

As tarifas canadenses foram direcionadas aos mesmos setores atingidos pelas medidas americanas. A estratégia de Ottawa é aplicar cobranças equivalentes às impostas por Washington.

Os produtos americanos que já estavam em trânsito para o Canadá quando as tarifas entraram em vigor não serão afetados. A cobrança também se aplica apenas a mercadorias consideradas de origem americana.

As tarifas canadenses que já estavam em vigor sobre automóveis dos Estados Unidos também foram mantidas.

Como começou a guerra comercial

A atual disputa comercial começou no início de 2025, quando Trump anunciou tarifas sobre produtos canadenses. Entre as justificativas apresentadas pelo governo americano estavam o combate ao tráfico de fentanil e a redução do déficit comercial dos Estados Unidos.

Em março daquele ano, Washington colocou em vigor uma tarifa de 25% sobre diversos produtos canadenses e de 10% sobre parte das importações de energia. Ottawa respondeu com tarifas sobre alimentos, bebidas, eletrodomésticos, roupas e outros produtos americanos.

A disputa se ampliou com novas tarifas sobre aço, alumínio e automóveis. Apesar de sucessivas rodadas de negociação entre Trump e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, os dois governos não chegaram a um acordo.

Em agosto, os Estados Unidos colocaram em vigor tarifas de até 50% sobre produtos canadenses. O Canadá anunciou então que responderia com novas medidas de retaliação.

Impacto sobre empresas e consumidores

A disputa afeta uma das cadeias comerciais mais integradas do mundo. Empresas americanas e canadenses dependem umas das outras para obter matérias-primas, peças e componentes.

O setor automotivo é um dos mais expostos. Um mesmo veículo pode envolver peças produzidas nos dois países antes de chegar ao consumidor final. Com isso, as tarifas podem elevar os custos para empresas e, dependendo das condições do mercado, também para os consumidores.

A tensão também chegou a empresas como a fabricante canadense de jatos executivos Bombardier. Donald Trump afirmou que a companhia deveria produzir aeronaves nos Estados Unidos para continuar vendendo no mercado americano.

O conflito ainda ocorre em meio a sinais de desaceleração da economia canadense. Em julho, as exportações do Canadá para os Estados Unidos caíram 6,6%, enquanto as importações de produtos americanos cresceram 1,8%.