quinta-feira, 23 de julho de 2026
São Paulo 16°C ↓16° ↑22°
Últimas notícias
ESPORTES Três meses após a cirurgia, Negueba avança na recuperação e inicia nova fase no Mirassol ESPORTES Uberlândia volta à cidade de São Paulo após 26 anos para jogo decisivo na Série D ESPORTES Em reedição da final de 2025, Bragantino encara o Palmeiras pelo 1º jogo da semi do Brasileiro Sub-20 ECONOMIA NR-1: o que muda para os trabalhadores após o STF suspender multas por 90 dias? ESPORTES União São João x XV de Piracicaba na Copa Paulista: onde assistir ao vivo e horário ESPORTES Sesc Mogi promove aula de vôlei com a central bicampeã olímpica Thaisa; saiba mais ESPORTES Torcedor viaja 250 km para ver jogos do Ceará há 18 anos ENTRETENIMENTO 'Momento mais puro da minha vida', relembra Karol Conká ao falar de 'Batuk Freak', primeiro álbum da carreira ESPORTES Três meses após a cirurgia, Negueba avança na recuperação e inicia nova fase no Mirassol ESPORTES Uberlândia volta à cidade de São Paulo após 26 anos para jogo decisivo na Série D ESPORTES Em reedição da final de 2025, Bragantino encara o Palmeiras pelo 1º jogo da semi do Brasileiro Sub-20 ECONOMIA NR-1: o que muda para os trabalhadores após o STF suspender multas por 90 dias? ESPORTES União São João x XV de Piracicaba na Copa Paulista: onde assistir ao vivo e horário ESPORTES Sesc Mogi promove aula de vôlei com a central bicampeã olímpica Thaisa; saiba mais ESPORTES Torcedor viaja 250 km para ver jogos do Ceará há 18 anos ENTRETENIMENTO 'Momento mais puro da minha vida', relembra Karol Conká ao falar de 'Batuk Freak', primeiro álbum da carreira

Veto à carne brasileira expõe diferenças importantes na forma como a União Europeia e o Mercosul tomam decisões

União Europeia veta importações de carne e produtos de origem animal do Brasil Maior exportador de carne bovina do Mercosul e um dos mais competitivos do mundo no setor, o…

Veto à carne brasileira expõe diferenças importantes na forma como a União Europeia e o Mercosul tomam decisões

União Europeia restringe importação de carne brasileira e amplia tensão no acordo com o Mercosul

Maior exportador de carne bovina do Mercosul e um dos países mais competitivos do mundo no setor, o Brasil se tornou alvo de novas barreiras sanitárias impostas pela União Europeia após a entrada em vigor provisória do Acordo Mercosul-União Europeia, em 1º de maio de 2026.

Poucos dias depois, em 12 de maio, a Comissão Europeia anunciou restrições à importação de carne bovina brasileira. A medida foi justificada por supostas falhas sanitárias e problemas na rastreabilidade animal.

A decisão atinge um dos setores mais estratégicos das exportações brasileiras e expõe uma tensão estrutural do acordo: as diferenças entre o modelo decisório da União Europeia e o do Mercosul.

O anúncio ocorre em meio ao aumento da pressão política e econômica dentro da Europa para proteger produtores rurais europeus da competitividade agrícola sul-americana.

Embora a União Europeia apresente o acordo como um instrumento de fortalecimento do multilateralismo, da sustentabilidade e da integração econômica, governos europeus enfrentam resistência interna, especialmente de setores agrícolas preocupados com a entrada de produtos agropecuários mais baratos vindos do Mercosul.

Nesse cenário, mecanismos sanitários e fitossanitários passaram a ser utilizados também como instrumentos de proteção econômica e acomodação política interna, sobretudo em períodos pré-eleitorais e em um contexto de incertezas internacionais.

O peso do acordo Mercosul-União Europeia

Concluído durante a 65ª Cúpula do Mercosul, em Montevidéu, em dezembro de 2024, o acordo entrou em vigor provisoriamente em maio deste ano após mais de 25 anos de negociações.

O pacto reúne cerca de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado estimado em US$ 22,4 trilhões valor superior ao PIB da China e inferior apenas ao dos Estados Unidos.

Além dos ganhos econômicos, o acordo busca fortalecer valores democráticos, promover desenvolvimento sustentável, ampliar a cooperação tecnológica e reforçar o multilateralismo em um cenário internacional mais fragmentado.

Em troca da abertura comercial e da redução tarifária, especialmente no setor agrícola, o Mercosul aceitou incorporar demandas europeias relacionadas a meio ambiente, sanidade animal, agricultura e compras governamentais.

O bloco sul-americano também garantiu cooperação em áreas consideradas estratégicas, como inteligência artificial, minerais críticos e tecnologia industrial.

O impasse institucional

A crise envolvendo a carne brasileira revela uma diferença importante entre os modelos institucionais dos dois blocos.

Enquanto o Mercosul opera de forma intergovernamental, dependente de negociações políticas e aprovação nacional das decisões, a União Europeia possui uma estrutura supranacional, na qual instituições comunitárias conseguem aplicar regras diretamente aos países-membros.

Na prática, isso permite à Comissão Europeia agir com mais rapidez e coordenação para proteger interesses econômicos considerados sensíveis.

Ao alegar problemas sanitários e falhas no controle de agentes antimicrobianos utilizados na pecuária brasileira, a União Europeia consegue restringir exportações sem romper formalmente o acordo comercial.

A medida também reduz a competitividade da carne brasileira no mercado europeu e protege produtores rurais do continente.

Outro efeito apontado por analistas é a fragmentação da resposta regional do Mercosul, já que as restrições não foram aplicadas da mesma forma aos demais países do bloco.

Impacto econômico

A estimativa é que o Brasil possa deixar de exportar quase US$ 2 bilhões por ano em carnes caso as restrições sejam mantidas.

O cenário ocorre em meio à aproximação geopolítica entre China e Estados Unidos e ao aumento das compras chinesas de carne norte-americana, o que amplia a pressão sobre o agronegócio brasileiro.

Estratégias de reação

A primeira resposta brasileira deve ocorrer no campo diplomático e jurídico. O governo pode contestar tecnicamente as medidas junto às instituições europeias, tentando comprovar a eficiência do sistema nacional de rastreabilidade animal e a segurança sanitária da carne exportada.

Especialistas também defendem reformas no próprio Mercosul, com a criação de mecanismos supranacionais de harmonização regulatória.

A avaliação é que regras sanitárias comuns e estruturas mais integradas poderiam reduzir a vulnerabilidade dos países do bloco diante de barreiras técnicas aplicadas individualmente pela União Europeia.

Sem esse tipo de coordenação, cresce o risco de que o acordo favoreça principalmente os ganhos industriais europeus, enquanto as vantagens agrícolas do Mercosul sejam limitadas por salvaguardas sanitárias, ambientais e fitossanitárias.

Nesse contexto, a disputa envolvendo a carne brasileira pode se tornar o primeiro grande teste político e econômico do acordo entre Mercosul e União Europeia.

Fonte: Economia