A nova versão de “Bichos Escrotos”, dos Titãs, gravada por Anitta para a trilha sonora de “Corrida dos Bichos”, do Prime Video, colocou uma música lançada há quase 40 anos novamente no centro das redes sociais.
A repercussão, porém, veio acompanhada de uma discussão curiosa: parte do público mais jovem descobriu a música pela versão de Anitta e chegou a acreditar que se tratava de uma composição original da cantora. O episódio gerou críticas nas redes e reacendeu o debate sobre o quanto as novas gerações conhecem da música brasileira.
Lançada em 1986, no álbum Cabeça Dinossauro, “Bichos Escrotos” é uma das músicas mais provocativas dos Titãs. A letra usa imagens de ratos, baratas e outros animais para criticar uma sociedade considerada hipócrita, conservadora e preocupada em esconder tudo aquilo que considera incômodo ou “feio”.
Apesar da confusão, os próprios Titãs celebraram o retorno da faixa às conversas. Afinal, versões e regravações sempre foram uma das principais formas de apresentar artistas antigos a novos públicos.
A discussão também levanta uma questão maior: quem decide o que é obrigatório conhecer na cultura brasileira? É razoável cobrar que um jovem conheça todos os grandes nomes e músicas de décadas passadas? Ou o repertório cultural é construído justamente por descobertas que acontecem ao longo do tempo?
Especialistas e artistas lembram que esse processo é natural. Muitos músicos são descobertos por novas gerações justamente por meio de regravações, filmes, séries, redes sociais ou outros artistas.
No caso de “Bichos Escrotos”, o resultado já aparece nos números: a nova versão de Anitta ganhou milhares de reproduções nas plataformas, enquanto a música original voltou a circular intensamente nas redes.
No fim, a polêmica pode ter produzido exatamente o efeito mais interessante: uma nova geração está descobrindo os Titãs.
