A desistência de Gianni Infantino do plano de criar uma empresa com participação de investidores privados para administrar comercialmente torneios da Fifa não encerrou a crise entre o presidente da entidade e a Uefa. A pressão europeia agora mira a permanência do dirigente no comando do futebol mundial.
Eleito presidente da Fifa em 2016, Infantino foi reeleito duas vezes por aclamação, em 2019 e 2023, e caminhava para uma nova candidatura tranquila em busca do quarto mandato. No entanto, a proposta de criação de uma empresa para explorar comercialmente competições da entidade gerou forte reação das confederações.
A Uefa foi a principal opositora ao projeto e chegou a ameaçar um boicote a torneios organizados pela Fifa. Mesmo após o cancelamento da iniciativa, dirigentes europeus mantêm a pressão pela saída de Infantino, que pode acontecer antes da eleição prevista para março de 2027.
O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, busca apoio da Associação Europeia de Clubes (ECA) para possíveis medidas contra a Fifa. Entre as possibilidades está um boicote à Copa do Mundo de Clubes, em uma articulação que envolve dirigentes de grandes clubes do continente.
A crise também já afetou o apoio político ao presidente da Fifa. Federações como País de Gales, Escócia, Finlândia, Suíça e Sérvia retiraram o suporte à continuidade de Infantino, enquanto a Federação Inglesa avalia seguir o mesmo caminho.
Uma das possibilidades discutidas para antecipar uma mudança na presidência seria uma ação dentro do Conselho da Fifa. O órgão pode convocar uma reunião extraordinária caso haja apoio mínimo de seus integrantes, e as confederações contrárias ao projeto somam maioria suficiente para solicitar o encontro.
A disputa abre uma das maiores crises da gestão Infantino desde sua chegada ao comando da Fifa, colocando em dúvida o caminho do dirigente rumo a um quarto mandato.
