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'Tememos um Brasil evangélico': bandas cristãs fazem rock sobre fé, mas rejeitam rótulo de 'gospel'

Banda Judeu Marginal, integrante do selo Se Vira Records, agrupador da nova cena do rock brasileiro. Rafaela Gomes 🎸 Espalhadas por diferentes cantos do país, bandas de rock têm se…

'Tememos um Brasil evangélico': bandas cristãs fazem rock sobre fé, mas rejeitam rótulo de 'gospel'

Uma nova geração de bandas brasileiras tem buscado um caminho diferente dentro da música cristã. Inspirados pela fé, mas distantes da estética e da linguagem do mercado gospel tradicional, grupos de rock, hardcore, reggae e metal vêm se articulando por meio do selo independente Se Vira Music, que reúne 12 bandas de diferentes estados e uma rede de cerca de 100 músicos e produtores.

Segundo os integrantes, o objetivo não é criar uma nova categoria musical, mas ampliar o diálogo entre espiritualidade e cultura sem reproduzir o que chamam de “evangeliquês” — linguagem voltada principalmente à evangelização e frequentemente associada ao segmento gospel comercial.

“O gospel mainstream fala para grupos fechados. Nós queremos tocar em bares, botecos e outros espaços onde normalmente esse mercado não chega”, afirma Sérgio Verine, fundador do selo e integrante da banda Judeu Marginal.

As bandas também rejeitam a divisão entre ambientes considerados “sagrados” e “seculares”. A gaúcha AHPE, por exemplo, mantém apresentações tanto em igrejas quanto em casas de shows, bares e cervejarias. Segundo o vocalista Alex André Santin, o grupo enfrenta resistência dos dois lados.

“Eles dizem que somos rebeldes demais para tocar nas igrejas e da igreja demais para tocar nas casas de hardcore.”

As letras continuam abordando temas ligados à fé, mas com uma perspectiva crítica. A Judeu Marginal, por exemplo, questiona interpretações religiosas e o moralismo presente em parte do meio evangélico, enquanto a AHPE trata de assuntos como depressão, crises existenciais e saúde mental.

Outra representante do movimento é a banda potiguar Conexão Vibration, que transita entre igrejas, Marchas para Jesus, campeonatos de skate, festivais e bares. Para o vocalista Juninho, a proposta é aproximar pessoas, não convencer ninguém.

“Nós fazemos música que constrói pontes, não muros.”

Ainda em formação, o movimento reúne artistas que compartilham referências cristãs, mas defendem uma produção musical aberta ao diálogo, à diversidade de espaços e a uma abordagem menos institucionalizada da religião.