Apesar de o preço internacional do petróleo estar abaixo dos níveis registrados no início da guerra entre Estados Unidos e Irã, os combustíveis continuam pesando no bolso dos brasileiros.
Em julho, o barril do Brent, referência mundial, fechou cotado a US$ 83,30, bem abaixo do pico de US$ 118,03 registrado em abril. Ainda assim, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a gasolina acumula alta de cerca de 5% desde o início do conflito, enquanto o diesel avançou aproximadamente 10%.
Especialistas explicam que a demora na redução dos preços é consequência da instabilidade no Oriente Médio e das medidas adotadas pelo governo brasileiro para conter os impactos da guerra.
Após um acordo preliminar de cessar-fogo em junho, Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques nas últimas semanas. A retomada das tensões, somada às restrições no Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo —, mantém o mercado em alerta sobre possíveis interrupções no abastecimento.
“A imprevisibilidade ainda dita os preços do petróleo e, consequentemente, do diesel e da gasolina. Ainda existem muitos pontos sensíveis a serem negociados entre os dois países”, afirma Bruno Cordeiro, analista da StoneX.
Além da oferta reduzida, a demanda por petróleo segue elevada, impulsionada pelo verão no Hemisfério Norte, período de maior consumo de combustíveis.
No Brasil, o governo federal destinou mais de R$ 30 bilhões para reduzir os impactos da alta sobre os consumidores, enquanto a Petrobras evitou repassar integralmente as oscilações do mercado internacional durante os momentos mais críticos do conflito.
Segundo Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, essa estratégia ajudou a limitar o aumento dos preços, mas também reduz o espaço para quedas expressivas agora.
“O aumento não chegou com tanta intensidade ao consumidor final. Como a alta foi mais moderada, também não há espaço para reduções muito fortes”, afirma.
Mesmo a recente redução do preço do diesel nas refinarias e o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina não devem provocar mudanças significativas nos postos no curto prazo.
Para especialistas, uma queda mais consistente dos combustíveis dependerá principalmente da estabilização definitiva do conflito entre Estados Unidos e Irã e da redução das incertezas no mercado internacional de petróleo.
