Professores ampliam protestos no México às vésperas da Copa do Mundo
A poucas horas da abertura da Copa do Mundo de 2026, marcada para esta quinta-feira (11), o México enfrenta uma onda de protestos liderada por professores que reivindicam aumento salarial e melhores condições de trabalho. As manifestações aumentam a pressão sobre o governo e geram preocupação em relação à realização do torneio.
Nos últimos dias, bloqueios de vias estratégicas, ocupações e confrontos com forças de segurança foram registrados na Cidade do México. Os sindicatos da categoria aproveitam a visibilidade internacional da competição para dar mais alcance às reivindicações.
Na terça-feira (9), milhares de manifestantes interditaram uma das principais avenidas de acesso ao Estádio Azteca, palco da partida de abertura entre México e África do Sul. A mobilização é liderada pela Coordenadoria Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), considerada a ala mais combativa do movimento sindical dos professores.
A entidade iniciou uma greve nacional por tempo indeterminado em 1º de junho e exige reajuste salarial de 100%, proposta considerada inviável pelo governo federal. A insatisfação aumentou após o anúncio de um reajuste de 10%, previsto para entrar em vigor apenas em setembro de 2026.
Além da questão salarial, os professores criticam políticas educacionais e regras previdenciárias. Já o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Educação (SNTE), que adota uma postura mais moderada, defende um aumento de 13% para o próximo ano.
A proximidade da Copa transformou o impasse em um tema de repercussão internacional. O México espera receber cerca de 5 milhões de turistas durante o torneio, ampliando a exposição das manifestações.
Nos últimos dias, manifestantes ocuparam a fan zone instalada no Zócalo, principal praça da capital, bloquearam ruas, derrubaram esculturas temáticas da Copa e queimaram camisas gigantes em protesto. Em algumas ações, deixaram mensagens como: “Sem solução, a bola não rola”.
A ocupação levou ao cancelamento de atividades ligadas à organização do evento, incluindo treinamentos de voluntários. Também houve registros de confrontos, uso de gás lacrimogêneo e invasão ao Ministério da Educação, onde um incêndio foi registrado na área de entrada do prédio.
A presidente Claudia Sheinbaum classificou os episódios mais violentos como uma “provocação” e afirmou que nem todos os envolvidos seriam professores, atribuindo parte das ações a grupos radicais.
Segundo estimativas citadas pela imprensa internacional, os protestos já provocaram impactos econômicos, com prejuízos relacionados a bloqueios, interrupções logísticas, fechamento de aeroportos e atos de vandalismo.
