Muito antes dos atuais hinos de torcida e músicas oficiais das Copas do Mundo, Gal Costa foi escolhida para representar musicalmente a Seleção Brasileira rumo ao sonhado tetracampeonato.
Em dezembro de 1985, a cantora participou do lançamento da campanha publicitária “70 neles!”, promovida por uma empresa de cigarros, ao lado de três ídolos históricos do futebol brasileiro: Roberto Rivelino, Jairzinho e Carlos Alberto Torres.
Na época, Gal vivia um dos momentos mais populares da carreira graças ao álbum “Bem Bom” (1985), impulsionado pelo sucesso da canção “Um Dia de Domingo”, em parceria com Tim Maia.
Um jingle para embalar o sonho do tetra
Como parte da campanha para a Copa do Mundo de 1986, disputada no México, Gal gravou a marcha “70 Neles”, composta por Antônio Edgard Gianullo e Vicente de Paula Salvia, com produção musical de Guti Carvalho.
O título fazia referência ao tricampeonato conquistado pelo Brasil na Copa de 1970, também realizada em território mexicano, e buscava inspirar a seleção a repetir o feito, agora em busca da quarta estrela.
Lançada em um single promocional, a música foi amplamente utilizada em comerciais de televisão e, anos depois, acabou incorporada à coletânea “Focus”, lançada em 1999.
O tetra teve que esperar
Apesar do clima de otimismo criado pela campanha e da grande expectativa da torcida, a Seleção Brasileira não conseguiu conquistar o título em 1986.
A equipe acabou eliminada pela França nas quartas de final, nos pênaltis, em uma das partidas mais marcantes da história das Copas do Mundo. O tão esperado tetracampeonato só seria alcançado oito anos depois, nos Estados Unidos, em 1994.
Uma lembrança das Copas
Mesmo sem o título, “70 Neles” permaneceu como uma curiosidade na trajetória de Gal Costa e na história das campanhas musicais ligadas à Seleção Brasileira.
A gravação ficou marcada como uma das poucas vezes em que uma das maiores vozes da música brasileira assumiu oficialmente o papel de intérprete de um hino criado para embalar o Brasil em uma Copa do Mundo, unindo dois símbolos da cultura nacional: a música e o futebol.
