Muita gente teve aumento de salário nos últimos anos, mas continua com a sensação de que o dinheiro termina antes do fim do mês. Embora a renda tenha crescido, o custo de vida também avançou e, em muitos casos, em ritmo mais acelerado.
Na prática, isso significa que ganhar mais nem sempre representa um aumento real do poder de compra.
O custo de vida subiu
Nos últimos anos, despesas como alimentação, plano de saúde, mensalidades escolares e diversos serviços ficaram mais caras.
Mesmo quando o salário acompanha parte da inflação, esses gastos costumam pesar mais no orçamento das famílias, reduzindo a sensação de melhora financeira.
Novas despesas passaram a fazer parte do orçamento
Além das contas tradicionais, as famílias passaram a incorporar novos gastos ao dia a dia.
Internet de alta velocidade, plataformas de streaming, aplicativos de transporte, entregas, armazenamento em nuvem e assinaturas digitais são despesas que praticamente não existiam ou tinham pouca relevância há alguns anos.
Individualmente podem parecer pequenas, mas, somadas, comprometem uma parcela importante da renda mensal.
A renda aumenta… e o padrão de consumo também
Economistas chamam esse comportamento de “inflação do estilo de vida”.
Quando a renda cresce, é comum que as pessoas também elevem o padrão de consumo: trocam de carro, passam a frequentar restaurantes com mais frequência, viajam mais ou contratam novos serviços.
O problema é que as despesas passam a acompanhar o aumento da renda, impedindo que sobre mais dinheiro no fim do mês.
Crédito também reduz a renda disponível
Outro fator importante é a expansão do crédito.
Financiamentos, empréstimos e compras parceladas permitem antecipar o consumo, mas também comprometem parte da renda futura.
Na prática, parcelas do cartão de crédito, do carro ou de financiamentos reduzem o dinheiro disponível para as despesas do mês seguinte.
Classe média sente mais esse efeito
Segundo economistas, esse cenário pesa especialmente sobre a classe média.
Isso porque esse grupo concentra gastos considerados mais difíceis de reduzir, como educação, saúde, moradia e transporte, além de ser o principal usuário de crédito para financiar consumo e patrimônio.
Como recuperar a sensação de folga no orçamento
Especialistas recomendam algumas medidas para evitar que o aumento da renda seja totalmente absorvido pelo aumento das despesas:
- revisar assinaturas e serviços contratados;
- evitar elevar o padrão de vida imediatamente após receber um aumento;
- direcionar parte da renda extra para investimentos ou reserva de emergência;
- acompanhar os gastos mensais para identificar despesas que cresceram sem serem percebidas.
No fim das contas, o salário pode até estar maior, mas se as despesas crescerem no mesmo ritmo — ou acima dele — a sensação continuará sendo a mesma: a de que o dinheiro nunca é suficiente.
