Criado pelo Banco Central em 2020, o PIX se consolidou como uma das principais formas de pagamento do país e transformou a rotina de milhões de empresas. Agora, o sistema também entrou no centro da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos.
O governo do presidente Donald Trump incluiu o PIX entre os argumentos para justificar a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), o modelo brasileiro daria vantagens indevidas ao sistema por ser operado pelo Banco Central.
Na avaliação do governo americano, o fato de o BC atuar ao mesmo tempo como regulador e operador do PIX criaria uma concorrência desigual em relação às empresas privadas de pagamentos.
No Brasil, porém, especialistas apontam que justamente essa estrutura foi responsável pela rápida expansão da ferramenta, que reduziu custos, acelerou os recebimentos e ampliou o acesso aos pagamentos digitais.
Dados do Sebrae mostram que 59% dos pequenos negócios já utilizam o PIX como principal forma de recebimento. Entre os microempreendedores individuais (MEIs), 97% usam o sistema e, para 28%, ele representa mais de 75% do faturamento.
“O sistema é uma forma de pagamento que não tem volta e se tornou a preferida dos pequenos negócios pela rapidez no recebimento e pela contribuição para a manutenção do fluxo de caixa dessas empresas”, afirma Rodrigo Soares, presidente do Sebrae.
Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que o PIX aumentou a concorrência no mercado de pagamentos, mas não eliminou outras modalidades, como cartões de crédito e débito.
“O PIX não foi criado para substituir os cartões. Desde o lançamento, os demais meios de pagamento continuaram crescendo”, afirma Ralf Germer, CEO da PagBrasil.
Para o economista Jorge Ferreira dos Santos Filho, professor da ESPM, a principal preocupação dos Estados Unidos está relacionada ao impacto do sistema sobre empresas que tradicionalmente lucram com tarifas cobradas em transações financeiras.
Além das críticas ao PIX, o governo americano também citou decisões do Supremo Tribunal Federal envolvendo plataformas digitais, questões relacionadas à propriedade intelectual, tarifas sobre o etanol, corrupção e desmatamento para justificar a aplicação das novas tarifas sobre produtos brasileiros.
O governo brasileiro rejeitou as acusações e informou que responderá à medida com base na Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada em 2025.
