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‘Ponto sem retorno’ tem boa direção de Ridley Scott em história afogada em clichês;

Nascido em 1937 e com quase 90 anos de idade, o diretor Ridley Scott não demonstra sinais de cansaço nem de que vai se aposentar tão cedo. Prova disso é…

‘Ponto sem retorno’ tem boa direção de Ridley Scott em história afogada em clichês;

Aos 88 anos, Ridley Scott continua longe de pensar em aposentadoria. Prova disso é “Ponto sem retorno”, novo filme do diretor que chega aos cinemas nesta quinta-feira (27).

Ambientado em um futuro pós-apocalíptico, o longa acompanha Hig (Jacob Elordi), um dos poucos sobreviventes de uma epidemia que praticamente dizimou a humanidade. Vivendo em uma base aérea abandonada ao lado de Bangley (Josh Brolin) e do cão Jasper, ele usa um avião para buscar suprimentos e mantém a esperança de encontrar outros sobreviventes.

A direção de Scott é um dos principais pontos positivos. O cineasta demonstra domínio técnico, especialmente na fotografia e no design de produção. O filme também ganha força quando abandona o ritmo contemplativo do início e passa a investir em tensão, ação e elementos que remetem ao faroeste.

O problema está no roteiro de Mark L. Smith, baseado no livro “Na Companhia das Estrelas”, de Peter Heller. A história recorre a situações já exploradas em produções como Jogos Vorazes, Eu Sou a Lenda e Extermínio, deixando a sensação de déjà vu.

O elenco, porém, ajuda a sustentar o resultado. Jacob Elordi convence como o protagonista atormentado, enquanto Josh Brolin se destaca pelo humor irônico e pela paranoia de seu personagem. Margaret Qualley e Guy Pearce têm participações mais limitadas, e Allison Janney aparece brevemente em uma das cenas mais curiosas do longa.

Mas quem rouba a cena é Raksha, o cão que interpreta Jasper. A relação entre o animal e Hig rende alguns dos momentos mais delicados e poéticos do filme.

“Ponto sem retorno” tem qualidades técnicas e uma direção segura, mas poderia ser muito mais interessante se apresentasse ideias mais originais. Para um cineasta com a trajetória de Ridley Scott, o resultado fica abaixo do esperado. Ainda assim, o filme deixa uma certeza: Scott continua sendo um inimigo declarado da aposentadoria.