Aos 88 anos, Ridley Scott continua longe de pensar em aposentadoria. Prova disso é “Ponto sem retorno”, novo filme do diretor que chega aos cinemas nesta quinta-feira (27).
Ambientado em um futuro pós-apocalíptico, o longa acompanha Hig (Jacob Elordi), um dos poucos sobreviventes de uma epidemia que praticamente dizimou a humanidade. Vivendo em uma base aérea abandonada ao lado de Bangley (Josh Brolin) e do cão Jasper, ele usa um avião para buscar suprimentos e mantém a esperança de encontrar outros sobreviventes.
A direção de Scott é um dos principais pontos positivos. O cineasta demonstra domínio técnico, especialmente na fotografia e no design de produção. O filme também ganha força quando abandona o ritmo contemplativo do início e passa a investir em tensão, ação e elementos que remetem ao faroeste.
O problema está no roteiro de Mark L. Smith, baseado no livro “Na Companhia das Estrelas”, de Peter Heller. A história recorre a situações já exploradas em produções como Jogos Vorazes, Eu Sou a Lenda e Extermínio, deixando a sensação de déjà vu.
O elenco, porém, ajuda a sustentar o resultado. Jacob Elordi convence como o protagonista atormentado, enquanto Josh Brolin se destaca pelo humor irônico e pela paranoia de seu personagem. Margaret Qualley e Guy Pearce têm participações mais limitadas, e Allison Janney aparece brevemente em uma das cenas mais curiosas do longa.
Mas quem rouba a cena é Raksha, o cão que interpreta Jasper. A relação entre o animal e Hig rende alguns dos momentos mais delicados e poéticos do filme.
“Ponto sem retorno” tem qualidades técnicas e uma direção segura, mas poderia ser muito mais interessante se apresentasse ideias mais originais. Para um cineasta com a trajetória de Ridley Scott, o resultado fica abaixo do esperado. Ainda assim, o filme deixa uma certeza: Scott continua sendo um inimigo declarado da aposentadoria.
