Muito antes de Erling Haaland se tornar um dos principais atacantes do futebol mundial, outro Haaland já era conhecido pelos torcedores ingleses. Alf-Inge Haaland construiu uma carreira sólida na Premier League, passou por Nottingham Forest, Leeds United e Manchester City, defendeu a seleção da Noruega e ficou marcado por uma das rivalidades mais famosas da história do futebol inglês.
Neste domingo (5), enquanto o filho enfrenta o Brasil pelas oitavas de final da Copa do Mundo, Alf-Inge acompanha de perto mais um capítulo da trajetória que ajudou a construir.
Revelado na Noruega, o ex-jogador chegou à Inglaterra no início dos anos 1990. Atuou como zagueiro, lateral-direito e volante, tornando-se conhecido pela intensidade, força física e estilo combativo.
Segundo o jornalista norueguês Lars Sivertsen, autor de um livro sobre Erling Haaland, pai e filho têm características completamente diferentes dentro de campo.
“O pai do Erling também foi um ótimo jogador, mas tinha características bem diferentes das do filho. Era um atleta muito forte fisicamente, duro nas disputas e que conhecia todos os truques do jogo. Gostava de irritar os adversários e era um jogador desagradável de enfrentar.”
Esse perfil fez com que Alf-Inge conquistasse o respeito das torcidas de Leeds e Manchester City.
A rivalidade com Roy Keane
Foi justamente esse estilo que originou um dos episódios mais marcantes da Premier League.
A rivalidade entre Alf-Inge Haaland e Roy Keane começou em 1997, quando o volante do Manchester United rompeu o ligamento cruzado durante uma partida contra o Leeds. Enquanto Keane estava caído no gramado, Haaland o acusou de simular a lesão para evitar punição, sem perceber a gravidade do problema.
Quatro anos depois, em um clássico entre Manchester United e Manchester City, Keane deu o troco.
Em 2001, o irlandês acertou uma entrada violenta em Alf-Inge, foi expulso e, anos mais tarde, admitiu em sua autobiografia que a falta foi motivada pelo ressentimento do episódio anterior.
A confissão levou a Federação Inglesa a reabrir o caso, aumentar sua suspensão e aplicar uma multa ao jogador.
Na época, Haaland afirmou:
“Fico agradecido que minha perna estava fora do chão. Senão ele teria feito um estrago e tanto.”
Roy Keane, por sua vez, nunca escondeu que queria acertar o rival.
“Queria machucá-lo. Não me arrependo disso. Mas não tinha intenção de provocar uma lesão grave.”
Embora ainda exista debate sobre o quanto a entrada contribuiu para o fim da carreira do norueguês, Alf-Inge convivia com problemas crônicos no joelho e anunciou a aposentadoria em 2003.
O arquiteto da carreira de Erling
Depois de deixar os gramados, Alf-Inge passou a exercer outro papel: planejar cuidadosamente a carreira do filho.
Mais do que acompanhar o desenvolvimento de Erling Haaland, participou das escolhas de clubes, da construção da imagem pública e da estratégia profissional do atacante.
Para o jornalista norueguês Thore Haugstad, essa atuação foi determinante.
“Ele foi extremamente importante no planejamento da carreira de Haaland como atleta, superstar e marca global. Não acho que pudesse ter conduzido isso de maneira melhor.”
Hoje, enquanto Erling Haaland é um dos maiores nomes do futebol mundial, Alf-Inge acompanha de fora dos gramados a trajetória do filho — uma carreira que ajudou a construir desde os primeiros passos e que agora passa por mais um grande desafio diante da seleção brasileira.
