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Os desafios de Lula no G7 para não ficar escanteado em meio ao foco em crises globais e embate entre Trump e Europa

Lula fez sua primeira reunião bilateral às margens do G7 com Emmanuel Macron, presidente da França e anfitrião do evento Ricardo Stuckert / PR O presidente Luiz Inácio Lula da…

Os desafios de Lula no G7 para não ficar escanteado em meio ao foco em crises globais e embate entre Trump e Europa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou nesta terça-feira sua participação oficial na cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França. Convidado pelo presidente francês Emmanuel Macron, anfitrião do encontro, Lula participa das discussões ampliadas do grupo que reúne as principais economias industrializadas do mundo.

A presença do presidente brasileiro ocorre em um momento de desafios para a política externa do país, marcado por tensões comerciais com os Estados Unidos e pela recente decisão da União Europeia de restringir a importação de alguns produtos agropecuários brasileiros.

Um dos pontos de maior expectativa envolve a presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também participante do encontro. Apesar da possibilidade de ambos se encontrarem durante as atividades do evento, não há confirmação de uma reunião bilateral entre os dois líderes.

O cenário ganha relevância diante das discussões sobre uma possível tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. Além disso, o encontro acontece poucos dias após o governo americano classificar formalmente as facções criminosas brasileiras PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.

Na agenda europeia, Lula deve se reunir com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa. O encontro ocorre após a União Europeia anunciar a suspensão das importações de carnes, mel, peixes e outros produtos de origem animal do Brasil, alegando preocupações relacionadas ao cumprimento de exigências sanitárias.

Antes do início oficial das discussões, Lula teve uma reunião bilateral com Emmanuel Macron. Os dois líderes discutiram temas ligados à cooperação em defesa, tecnologia, desenvolvimento sustentável e os desafios da atual conjuntura internacional.

Conflitos internacionais dominam agenda

A cúpula deste ano acontece em um contexto internacional marcado por conflitos geopolíticos e incertezas econômicas. Entre os principais temas estão os desdobramentos do acordo preliminar de paz entre Estados Unidos e Irã, a guerra na Ucrânia e os impactos globais sobre energia, alimentos e cadeias de suprimentos.

Analistas avaliam que essas questões devem concentrar grande parte da atenção dos líderes mundiais, reduzindo o espaço para debates específicos sobre temas de interesse brasileiro.

Mesmo assim, o governo brasileiro pretende reforçar pautas ligadas ao desenvolvimento sustentável, à reforma da governança global, ao fortalecimento do multilateralismo e à ampliação do apoio financeiro aos países em desenvolvimento.

Inteligência artificial e minerais críticos

Outro tema que estará no centro das discussões é a inteligência artificial. Lula participará de debates sobre regulação tecnológica e governança digital, ao lado de representantes de grandes empresas do setor.

O Brasil também acompanha as negociações sobre minerais críticos, considerados estratégicos para a transição energética e para a indústria tecnológica. O governo brasileiro busca defender políticas que incentivem a industrialização desses recursos dentro do país, ampliando a geração de valor agregado.

Além das reuniões multilaterais, Lula tem encontros previstos com lideranças do Japão e do Egito durante sua passagem pela França.

Esta é a décima participação de Lula em cúpulas do G7 ao longo de seus três mandatos presidenciais. Além do Brasil, países como Índia, Ucrânia, Coreia do Sul, Catar, Emirados Árabes Unidos, Quênia e Egito também participam do encontro como convidados.