Nos últimos anos, um novo conceito ganhou força no pagode: o resgate dos chamados “lados B”. Em vez de regravar grandes sucessos, artistas como Sorriso Maroto e Belo passaram a revisitar músicas próprias que ficaram fora dos holofotes quando foram lançadas.
A expressão faz referência aos discos de vinil, em que o lado A reunia os principais singles, enquanto o lado B era reservado a canções consideradas apostas. Agora, essas faixas voltam a ganhar espaço e conquistam uma segunda chance com o público.
No início deste ano, o Sorriso Maroto lançou o projeto “Sorriso Eu Gosto no Pagode – Lado B”, dedicado exclusivamente a músicas menos conhecidas do grupo. Belo também anunciou um álbum composto apenas por regravações de faixas pouco exploradas de sua carreira. Thiaguinho e Turma do Pagode já revelaram que estudam projetos semelhantes após pedidos dos fãs.
O público cansou dos mesmos sucessos
Regravações sempre fizeram parte da história do pagode, principalmente no início da carreira de muitos artistas. Nos últimos anos, porém, esse movimento se intensificou, impulsionado pelo sucesso do grupo Menos é Mais durante a pandemia.
O fenômeno acabou criando uma saturação dos repertórios, segundo músicos ouvidos pelo g1.
“As regravações trazem uma nostalgia interessante, mas praticamente tudo já foi regravado. Aí muita gente começou a olhar para aquelas músicas que adorava tocar, mas que nunca tinham recebido tanta atenção”, explica Marcelinho TDP, cavaquinista da Turma do Pagode.
O cantor e compositor Matheus Pessanha acredita que o excesso de repertórios semelhantes também contribuiu para essa mudança.
“Você vai a várias rodas de samba e escuta praticamente as mesmas músicas. O público começou a procurar algo diferente, mesmo que seja uma novidade antiga”, afirma.
Faixas esquecidas ganham nova vida
Um dos exemplos é “Fica com Deus”, música do Sorriso Maroto que voltou a circular após ser regravada pelo cantor Yan.
Segundo Bruno Cardoso, vocalista do grupo, o sucesso da nova versão surpreendeu até a própria banda.
“Nem eu lembrava que tinha gravado essa música. Quando ela começou a viralizar, nosso público passou a cobrar que voltássemos a cantá-la”, contou.
E as músicas inéditas?
Apesar do crescimento das regravações, os artistas afirmam que o pagode continua produzindo novos sucessos.
Em 2025, Ferrugem colocou “Apaguei Pra Todos” entre as músicas mais ouvidas do país. Neste ano, repetiu o desempenho com “Arrependidaço”, destaque nas rádios e no Top 50 do Spotify.
Entre os novos nomes, Vitinho chamou atenção com “Iceberg”, enquanto Turma do Pagode e Menos é Mais lançaram recentemente “Investigador”.
Para Marcelinho TDP, as regravações ajudam a manter vivo o catálogo dos artistas, mas não substituem a importância de músicas inéditas.
“As regravações viraram um fenômeno, mas o que constrói uma carreira são as músicas novas. São elas que criam identidade e personalidade para um artista”, afirma.
