Apesar da retomada das conversas entre Brasil e Estados Unidos, integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não esperam uma revisão rápida das tarifas impostas por Donald Trump sobre produtos brasileiros.
Segundo negociadores brasileiros, um eventual acordo dificilmente será fechado antes das eleições de outubro. O governo aguarda que os representantes americanos apresentem uma proposta com as condições para avançar nas tratativas.
As negociações devem começar com uma reunião virtual entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, marcada para segunda-feira (31), às 14h30, no horário de Brasília.
Um dos principais pontos em discussão é o comércio de etanol e açúcar. O Brasil avalia reduzir a tarifa de 18% sobre o etanol de milho americano caso os Estados Unidos diminuam as barreiras à entrada do açúcar brasileiro.
O governo também pretende discutir a ampliação da lista de produtos brasileiros livres das tarifas adicionais. Atualmente, parte das exportações enfrenta sobretaxa de até 37,5%, enquanto produtos como petróleo, café e carne bovina ficaram fora da cobrança adicional.
Ao mesmo tempo, o Brasil mantém em análise a aplicação de medidas de reciprocidade contra produtos americanos. Segundo interlocutores do governo, caso não haja avanço nas negociações nos próximos meses, o país poderá utilizar a legislação para impor tarifas aos Estados Unidos.
A expectativa do governo brasileiro é que a retomada das discussões técnicas permita negociar exceções e, posteriormente, um acordo capaz de reduzir os impactos do tarifaço sobre as exportações brasileiras.
