O dinheiro se tornou a principal fonte de preocupação para os brasileiros, superando temas como saúde, família, violência, política e trabalho. É o que mostra uma pesquisa da fintech Onze, realizada em parceria com a Icatu Seguros e obtida com exclusividade pelo g1.
O levantamento ouviu 8.391 pessoas entre trabalhadores com carteira assinada, microempreendedores individuais (MEIs), empresários, aposentados, servidores públicos e desempregados.
Segundo a pesquisa, 42% dos entrevistados apontam a situação financeira como sua maior preocupação. Em seguida aparecem saúde (22%), família (15%), violência (10%), política (6%) e trabalho (5%).
Maioria não possui reserva de emergência
Os dados revelam um cenário de fragilidade financeira. Mais da metade dos entrevistados (56%) afirmou não possuir reserva de emergência, enquanto outros 15% disseram não ter qualquer reserva e ainda conviver com dívidas.
Além disso, 53% afirmam que a renda mensal não é suficiente para cobrir todas as despesas ou que estão endividados e com restrições no nome.
O principal medo é não conseguir lidar com situações inesperadas, como problemas de saúde, acidentes ou auxílio a familiares, preocupação citada por 58% dos participantes.
Também aparecem entre os maiores receios a dificuldade para pagar as contas do mês (33%), garantir um futuro melhor para os filhos (25%) e quitar dívidas (22%).
Cartão de crédito lidera entre as dívidas
Entre aqueles que possuem débitos, o cartão de crédito aparece como o principal responsável pelo endividamento, citado por cerca de 60% dos entrevistados.
Na sequência estão o empréstimo pessoal (30%) e o crédito consignado, incluindo o Crédito do Trabalhador (26%).
Quase metade dos entrevistados (45%) afirmou recorrer ao crédito para pagar despesas básicas, como alimentação, contas de água, luz e aluguel. Outros 23% utilizam empréstimos para enfrentar emergências, enquanto 13% buscam renegociar dívidas.
Segundo Antonio Rocha, CEO e cofundador da Onze, o cartão de crédito costuma transmitir uma falsa sensação de aumento da renda.
“A pessoa gasta além do que pode, não consegue pagar a fatura integral e entra em uma sequência de juros que acaba comprometendo ainda mais o orçamento”, explica.
Impacto na saúde mental
As dificuldades financeiras também têm reflexos diretos na saúde dos trabalhadores.
De acordo com a pesquisa, 72% afirmam que a situação financeira prejudica a saúde mental, emocional ou a qualidade de vida.
Entre os principais sintomas relatados estão ansiedade (65%), insônia (53%) e depressão (18%). Em casos mais graves, 9% disseram que o estresse financeiro também afeta a saúde física.
Para os especialistas, a insegurança provocada pela falta de dinheiro, pelas dívidas e pela ausência de uma reserva de emergência cria um estado permanente de preocupação, que acaba afetando também a produtividade no trabalho e as relações pessoais.
O levantamento mostra ainda que 69% acreditam que seriam mais felizes e produtivos caso alcançassem maior estabilidade financeira por meio de planejamento e organização das finanças.
Educação financeira ainda é desafio
A pesquisa também aponta dificuldades na formação financeira da população.
Mais da metade dos entrevistados (53%) disse que raramente conversava sobre dinheiro dentro de casa, enquanto 89% nunca buscaram orientação profissional para organizar as finanças.
Além disso, 63% afirmaram não possuir qualquer tipo de proteção financeira para situações como morte ou invalidez.
Para os especialistas, ampliar o acesso à educação financeira e incentivar o planejamento de longo prazo pode ajudar a reduzir o endividamento e seus impactos sobre a saúde e a qualidade de vida da população.
