Em um parque no centro de Xangai, um costume tradicional continua atraindo centenas de famílias todos os domingos. No chamado mercado de casamentos, pais exibem anúncios com informações sobre seus filhos solteiros na tentativa de encontrar um parceiro compatível.
Os cartazes funcionam como currículos e costumam incluir dados como idade, profissão, escolaridade, altura, renda anual, patrimônio e o perfil desejado para um futuro companheiro. Em muitos casos, os próprios filhos não participam da iniciativa — a busca é conduzida pelos pais.
A preocupação costuma aumentar quando os filhos chegam aos 30 anos. Segundo uma mãe entrevistada, a filha sabe que seu perfil está sendo divulgado e também deseja se casar, mas a decisão final sobre um relacionamento continua sendo exclusivamente dela.
Agências transformaram a tradição em negócio
A demanda por esse tipo de serviço deu origem a um mercado especializado de casamenteiros profissionais. Agências fazem a seleção de candidatos, analisam perfis e sugerem possíveis combinações.
Uma das casamenteiras ouvidas na reportagem contou que encontrou o próprio marido por meio de um anúncio de jornal há cerca de 20 anos e hoje trabalha ajudando outras pessoas a formar casais.
Entre os critérios mais valorizados pelas gerações mais velhas estão estabilidade financeira, patrimônio e renda. Alguns anúncios destacam, por exemplo, o valor dos bens da família ou o salário do candidato.
Jovens mudam o perfil da procura
Apesar da popularidade dos aplicativos de relacionamento na China, as agências afirmam que oferecem um diferencial ao verificar informações e selecionar previamente os candidatos, aumentando a confiança entre as partes.
Mesmo assim, o setor enfrenta uma redução na procura. Segundo profissionais da área, muitos jovens têm priorizado independência, carreira e realização pessoal, adiando ou até desistindo dos planos de casamento.
Para acompanhar essa mudança de comportamento, empresas do segmento passaram a investir em conteúdos para redes sociais e contratar profissionais mais jovens, buscando dialogar com uma geração que valoriza mais afinidade e qualidade de vida do que patrimônio ou pressão familiar.
