Ferramentas de inteligência artificial (IA) estão sendo utilizadas cada vez mais por grupos extremistas e indivíduos radicalizados para auxiliar no planejamento de atentados, segundo especialistas em segurança digital e terrorismo. Embora a tecnologia tenha sido usada inicialmente para produzir propaganda e desinformação, pesquisadores afirmam que seu papel vem se expandindo para atividades operacionais.
Um relatório da organização Tech Against Terrorism, apoiada pelo Escritório de Contraterrorismo das Nações Unidas, analisou o comportamento de 27 modelos de inteligência artificial diante de mais de 2.300 solicitações inspiradas em casos reais envolvendo terrorismo. O estudo concluiu que 32% das consultas resultaram em respostas consideradas potencialmente úteis para extremistas. Quando as mesmas perguntas eram apresentadas sob o contexto de pesquisa acadêmica, esse percentual subia para 42%.
Uma das principais preocupações está relacionada à técnica conhecida como “jailbreaking”, utilizada para contornar os mecanismos de segurança dos chatbots. O método consiste em reformular perguntas para tentar obter informações que normalmente seriam bloqueadas, como orientações relacionadas à fabricação de explosivos, planejamento de ataques ou ocultação de evidências.
Especialistas afirmam que, em 2025, houve aumento no número de casos em que suspeitos utilizaram ferramentas de IA durante o planejamento de atentados. Episódios investigados nos Estados Unidos, Canadá, Israel, Finlândia e Áustria apontam o uso da tecnologia para pesquisas, vigilância, produção de conteúdo e organização de ações.
Além de indivíduos, grupos extremistas também passaram a incorporar a IA em suas estratégias. Pesquisadores identificaram discussões em aplicativos de mensagens sobre formas de utilizar chatbots para criar propaganda, desenvolver conteúdo para redes sociais e até compartilhar comandos capazes de contornar as restrições dos sistemas.
Apesar da preocupação, especialistas ressaltam que grande parte das informações buscadas por esses usuários já pode ser encontrada na internet por outros meios. Na avaliação dos pesquisadores, a principal diferença está na rapidez e na facilidade proporcionadas pelos modelos de IA, que conseguem reunir informações, responder dúvidas e interagir de forma contínua com o usuário.
Outro ponto considerado sensível é o formato conversacional dessas ferramentas. Em vez de apenas fornecer documentos ou resultados de busca, os chatbots conseguem responder perguntas sucessivas, adaptar explicações e manter diálogos prolongados, o que pode acelerar processos de radicalização e preparação de ataques.
Ainda assim, pesquisadores afirmam que não existem evidências de que a inteligência artificial esteja criando mais terroristas. O consenso é que a tecnologia tende a facilitar etapas do processo de radicalização e planejamento, tornando atividades já existentes mais rápidas e acessíveis, sem substituir outros fatores envolvidos no extremismo.
