O eletrofunk deixou de ser um ritmo restrito aos paredões de som e festas de rua para se consolidar como uma das principais tendências musicais do interior do Brasil. Misturando elementos do funk com batidas da música eletrônica, o gênero vem conquistando espaço em rodeios, feiras agropecuárias e festivais sertanejos, além de aparecer entre as músicas mais ouvidas nas plataformas de streaming.
Artistas como DJ Jiraya UAI, DJ Brenno Paixão, MC Jacaré e Jeninho lideram esse movimento com sucessos como “Chapeluda”, “Ela Carrega Minha Bolsa” e “Rua de Ouro”, que figurou entre as 50 músicas mais reproduzidas do Spotify.
De nicho ao palco dos grandes eventos
Embora exista há mais de uma década, o eletrofunk ganhou força nacional principalmente nos últimos cinco anos. O crescimento foi impulsionado por artistas do sertanejo que passaram a incorporar o ritmo em seus repertórios.
Canções como “Pipoco”, de Ana Castela e Melody, e “Ela Pirou na Dodge Ram”, de Luan Pereira e MC Ryan SP, ajudaram a aproximar o público sertanejo do gênero e abriram espaço para DJs e MCs nos principais eventos do interior.
Hoje, nomes do eletrofunk fazem parte da programação de grandes festas. O DJ Jiraya UAI, por exemplo, participa pelo terceiro ano consecutivo da Festa do Peão de Barretos, dividindo o palco com artistas consagrados do sertanejo.
Batida eletrônica com identidade do interior
Apesar do nome, os próprios artistas reconhecem que definir o eletrofunk não é uma tarefa simples.
Segundo DJ Jiraya UAI, o gênero combina o tamborzão característico do funk com elementos mais presentes na música eletrônica, aproximando-se das batidas de house e EDM, mas mantendo letras ligadas ao cotidiano do interior do país.
O resultado é um estilo que ganhou identidade própria e conquistou principalmente o público das cidades do Centro-Oeste e do interior de estados como Goiás, Paraná e Minas Gerais.
Pen drives seguem como ferramenta de divulgação
Mesmo com o crescimento nas plataformas digitais, o pen drive continua sendo uma das principais formas de distribuição do eletrofunk.
Os arquivos são baixados e reproduzidos em sistemas de som automotivos e paredões, tradição bastante popular nas cidades do interior.
“A melhor qualidade para ouvir a música nos carros de som ainda é pelo pen drive”, afirma DJ Brenno Paixão, um dos principais nomes do gênero.
MC Jacaré impulsiona nova geração
Entre os artistas que ajudaram a popularizar o eletrofunk nacionalmente está MC Jacaré. Natural de Goiânia, ele se tornou um dos principais representantes do estilo e conquistou espaço ao lado de nomes do funk paulista, como MC Ryan SP.
Mesmo com o sucesso nacional, o cantor optou por permanecer em Goiás, onde fundou sua própria produtora, a Croco Hits, fortalecendo a cena regional.
Para DJ Jiraya UAI, o eletrofunk deixou de ser um movimento de nicho.
“Hoje um artista consegue viver de eletrofunk. Tem produtor, cantor e público próprio. Não é mais um gênero que as pessoas olham com preconceito. A tendência é continuar crescendo”, afirma.
