O Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall, entrou com pedido de recuperação judicial para reorganizar uma dívida de R$ 265,2 milhões. Apesar da crise financeira, as lojas próprias continuam funcionando normalmente, e o processo não inclui as unidades franqueadas.
O pedido faz parte de uma onda de recuperações judiciais e extrajudiciais que vem atingindo empresas brasileiras em 2026. Só em agosto, casos envolvendo companhias como Marabraz, Casas Bahia, Braskem e o próprio Grupo Gennius ganharam destaque.
Por que o Grupo Gennius entrou em recuperação?
A empresa aponta uma combinação de fatores para explicar a crise financeira. Entre eles estão os efeitos da pandemia, a mudança nos hábitos dos consumidores e os juros elevados.
Durante a pandemia, o aumento dos pedidos por delivery e a redução da circulação de pessoas afetaram o modelo tradicional dos restaurantes. Depois, com a retomada das atividades presenciais, o comportamento do consumidor mudou novamente.
A companhia também enfrenta custos elevados com matérias-primas, energia, salários e aluguel, enquanto atua em um segmento conhecido por preços mais baixos e forte concorrência.
O cenário de juros altos agravou o problema. Com o crédito mais caro e a necessidade de capital de giro para manter as operações, empresas do varejo e do setor de alimentação ficaram mais pressionadas financeiramente.
As lojas do Habib’s vão fechar?
Por enquanto, não. Segundo o Grupo Gennius, as 119 lojas próprias do Habib’s, 26 unidades do Ragazzo e seis do Tendall continuam funcionando normalmente.
O pedido de recuperação judicial tem como objetivo justamente reorganizar as dívidas e criar condições para que a empresa mantenha suas operações.
As franquias ficaram fora do processo, portanto não fazem parte da dívida de R$ 265,2 milhões apresentada pela companhia.
O que é recuperação judicial?
A recuperação judicial é um mecanismo utilizado por empresas que enfrentam dificuldades financeiras para renegociar suas dívidas sob supervisão da Justiça, evitando que a companhia precise encerrar suas atividades ou entrar em falência.
O processo permite que a empresa apresente um plano para reorganizar seus compromissos financeiros e continue funcionando enquanto negocia com os credores.
O caso do Grupo Gennius reúne 178 empresas e dois produtores rurais, segundo as informações apresentadas no pedido.
Habib’s é mais um caso em um cenário difícil
O movimento não é isolado. Em 2026, empresas de diferentes setores recorreram à recuperação judicial ou extrajudicial diante de dificuldades relacionadas principalmente a juros elevados, endividamento acumulado, crédito mais restrito e mudanças no comportamento dos consumidores.
No varejo e no consumo, o impacto tende a ser ainda maior porque muitas companhias trabalham com margens estreitas e dependem de capital de giro e crédito para manter estoques e operações.
