O Brasil deve atingir já em agosto o limite anual de exportação de carne bovina para a China, principal destino da proteína brasileira. A previsão é da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), que afirma que frigoríficos começaram a diminuir o ritmo de compra de bois para abate diante da proximidade do teto estabelecido pelo mercado chinês.
A cota permite que o Brasil exporte até 1,1 milhão de toneladas de carne bovina por ano para a China com tarifa de importação de 12%. Acima desse volume, a alíquota sobe para 55%, tornando as vendas menos competitivas.
Segundo a política comercial chinesa, o sistema de cotas busca proteger a produção doméstica e reduzir a dependência das importações de carne.
Pecuaristas já sentem impacto nos preços
Em Mato Grosso, produtores relatam queda na procura por animais terminados para abate.
O pecuarista Luciano Resende, de Rondonópolis (MT), afirma que os frigoríficos reduziram as compras na última semana. Como consequência, o preço da arroba do boi gordo nas negociações a prazo caiu de R$ 344 para R$ 332 em apenas dez dias.
A redução na demanda preocupa o setor, que agora acompanha os próximos movimentos da indústria e do mercado internacional.
Mercado busca alternativas
Para o diretor executivo da Acrimat, Daniel Latorrocara, o cenário pode abrir oportunidades para ampliar as exportações a outros países.
Segundo ele, caso a China aumente as compras de fornecedores como Uruguai e Nova Zelândia, esses países poderão reduzir o abastecimento de outros mercados, criando espaço para que a carne brasileira ocupe essas lacunas.
“Caso a China não compre da gente e acelere a compra de Uruguai e Nova Zelândia, esses dois países vão deixar de atender outros mercados, criando uma oportunidade para a carne brasileira até o fim do ano”, afirma.
China segue como principal cliente
A China permanece como o maior comprador da carne bovina produzida no Brasil. Por isso, qualquer mudança nas regras de importação ou no volume de compras tem impacto direto sobre os preços pagos aos pecuaristas e sobre o ritmo de abate dos frigoríficos.
Enquanto o setor aguarda uma definição sobre o comportamento da demanda chinesa, produtores e exportadores avaliam alternativas para manter o fluxo de vendas ao mercado internacional.
