Pesquisadores acompanham a formação de um novo episódio do fenômeno climático El Niño no Oceano Pacífico, que pode provocar impactos significativos em diferentes regiões do Brasil nos próximos meses.
De acordo com especialistas, as temperaturas da superfície do mar na região equatorial do Pacífico já apresentam níveis compatíveis com o início do fenômeno. A principal incerteza, neste momento, é a intensidade que o evento poderá alcançar.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), existe 90% de probabilidade de o El Niño se desenvolver ainda este ano. Caso se confirme com intensidade moderada ou forte, os efeitos podem incluir aumento das chuvas na Região Sul e agravamento da seca em áreas do Norte e Nordeste.
O climatologista Tércio Ambrizzi, da Universidade de São Paulo (USP), afirma que a tendência observada pela comunidade científica aponta para um evento de intensidade entre moderada e forte. Já o pesquisador José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), destaca que os primeiros sinais dos impactos podem ser percebidos na primavera, especialmente no Sul do país.
Além das alterações no regime de chuvas, especialistas alertam para o aumento do risco de ondas de calor, queimadas e prejuízos à produção agrícola em regiões mais vulneráveis à estiagem.
A preocupação também está relacionada à capacidade de preparação das cidades brasileiras diante de eventos climáticos extremos. A tragédia registrada no Rio Grande do Sul em 2024, quando enchentes históricas afetaram milhares de pessoas, ainda serve como referência para os debates sobre prevenção e adaptação climática.
Especialistas defendem que o planejamento para enfrentar secas, enchentes e outros desastres não deve depender apenas da confirmação de fenômenos como o El Niño. Segundo eles, a construção de cidades mais resilientes, investimentos em infraestrutura e sistemas permanentes de monitoramento são medidas fundamentais para reduzir riscos futuros.
Outro desafio apontado por pesquisadores é a comunicação de risco. Com a circulação de previsões e análises em redes sociais, muitas vezes sem embasamento técnico, a população pode receber informações contraditórias, dificultando a adoção de medidas preventivas.
Enquanto o fenômeno segue em monitoramento, órgãos federais, estaduais e municipais afirmam acompanhar a evolução das condições climáticas para orientar ações de prevenção e resposta a possíveis eventos extremos.
