Após mais de quatro décadas de história, o Sepultura vive seus últimos meses na estrada com a turnê “Celebrating Life Through Death”, anunciada após a decisão da banda de encerrar as atividades em dezembro de 2023.
Neste fim de semana, o grupo se apresentou no Rock in Rio Lisboa, onde fechou a segunda noite de shows no Palco Music Valley. Antes da apresentação, o guitarrista Andreas Kisser conversou com o g1 e afirmou que a despedida tem sido ainda melhor do que a banda imaginava.
— Sensacional. Nós planejamos isso durante muito tempo para curtir e celebrar. É um momento muito especial da nossa história. Talvez seja a nossa melhor turnê, passando por lugares onde nunca tínhamos tocado antes.
O músico destacou o carinho pelo público português e lembrou que o país sempre recebeu o Sepultura de braços abertos, independentemente das mudanças de formação ao longo dos anos.
— Estamos muito felizes de estar aqui em Portugal, no Rock in Rio, para fazer essa despedida com os fãs portugueses, que são muito importantes na nossa história.
Novos fãs na despedida
Um dos pontos que mais surpreendeu Andreas durante a turnê foi encontrar pessoas assistindo ao Sepultura ao vivo pela primeira vez.
Segundo ele, muitos fãs acompanharam a trajetória da banda durante anos, mas nunca haviam conseguido ir a um show.
— Essa despedida tem tirado muita gente de casa. Tem pessoas que acompanham a banda há muito tempo, mas nunca tiveram a oportunidade de nos ver ao vivo.
Sem clima de despedida melancólica
Mesmo com o encerramento da carreira se aproximando, Andreas garante que o clima entre os integrantes está longe de ser triste.
Ele explica que a decisão foi amadurecida durante anos e envolveu conversas com familiares, empresários e toda a equipe da banda.
— A gente não está com clima nenhum de tristeza ou melancolia. Foram muitos anos de preparação até termos certeza de que esse era o caminho.
Além de revisitar os grandes clássicos da carreira, o Sepultura também apresenta material inédito durante a turnê, mostrando que a banda continua olhando para frente.
— Estamos tocando três músicas do EP novo e celebrando o momento atual da banda, não apenas vivendo do passado. O Greyson Nekrutman trouxe uma energia nova, novas ideias, e foi muito importante viver essa fase antes do fim. Está sendo muito melhor do que imaginávamos.
Arrependimento? “Zero”
Questionado se o sucesso da turnê fez a banda reconsiderar a decisão de encerrar as atividades, Andreas foi categórico.
— Não. Tudo isso é consequência da decisão que tomamos e do trabalho que fizemos para que ela acontecesse dessa forma.
Para o guitarrista, voltar atrás agora significaria ignorar todo o planejamento realizado ao longo dos últimos anos.
— Arrependimento, zero. A gente combinou, planejou e trabalhou muito duro para que essa despedida acontecesse exatamente assim.
