O compositor e poeta carioca Aldir Blanc faria 80 anos nesta quarta-feira (2). Morto em 4 de maio de 2020, aos 73 anos, em decorrência da Covid-19, o artista deixou uma das obras mais marcantes da música popular brasileira, especialmente pelas parcerias com nomes como João Bosco, Guinga, Moacyr Luz e César Costa Filho.
Com letras marcadas por imagens fortes, humor, lirismo e crítica social, Aldir Blanc transformou acontecimentos do cotidiano brasileiro em canções que atravessaram gerações. Sua obra retratou temas como violência, relações amorosas, desigualdade e os anos de repressão política no país.
Entre seus maiores sucessos estão “O bêbado e a equilibrista”, parceria com João Bosco eternizada na voz de Elis Regina, além de “De frente pro crime”, “Dois pra lá, dois pra cá”, “Incompatibilidade de gênios” e “Nação”.
Parceria com João Bosco
Aldir conheceu João Bosco em 1969, por intermédio de um amigo em comum. A parceria ganhou projeção a partir de 1972, quando “Agnus sei” foi lançada no projeto “Disco de Bolso”, do jornal O Pasquim.
A dupla se tornou uma das mais importantes da MPB nos anos 1970, produzindo músicas que dialogavam diretamente com o período de repressão vivido pelo Brasil. Em 1979, os dois compuseram “O bêbado e a equilibrista”, que se tornou um dos símbolos da abertura política.
A parceria chegou ao fim em meados dos anos 1980, quando a ditadura militar caminhava para o encerramento.
Guinga e Moacyr Luz
Após a fase com João Bosco, Aldir Blanc construiu outras parcerias importantes. Com Moacyr Luz, desenvolveu um repertório ligado ao samba e ao cotidiano carioca. Já com Guinga, criou uma das obras mais sofisticadas da música brasileira dos anos 1990.
A parceria com Guinga rendeu canções gravadas por grandes intérpretes e ganhou um álbum dedicado ao repertório da dupla: “Catavento e girassol”, lançado por Leila Pinheiro em 1996.
Aldir também manteve a produção artística até os últimos anos de vida. Em 2019, um ano antes de morrer, iniciou parceria com o sambista Douglas Germano, com quem compôs “Valhacouto”.
Médico de formação, Aldir Blanc abandonou a profissão após uma tragédia familiar em 1974 e passou a se dedicar cada vez mais à literatura e à música. Ao longo de décadas, tornou-se um dos principais cronistas da vida brasileira em forma de canção.
Seis anos após sua morte, sua obra continua presente no repertório da música brasileira — e faz com que, simbolicamente, o compositor ainda seja lembrado no presente.
