O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concluiu nesta quarta-feira (17) sua participação na cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França. Convidado para o encontro das maiores economias industrializadas do mundo, o chefe de Estado brasileiro participou de reuniões bilaterais, debates multilaterais e encontros com líderes internacionais.
Durante os três dias de evento, Lula se reuniu com representantes da França, Japão, Egito, Ucrânia, União Europeia, Suíça e Interpol. O presidente também teve contato com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre os dois países.
Troca de críticas com Trump
A relação entre Brasil e Estados Unidos esteve entre os assuntos mais acompanhados da cúpula. Após um breve encontro nos corredores do evento, Trump afirmou que o Brasil se tornou um país “politicamente perigoso” e voltou a comentar questões relacionadas ao cenário político brasileiro.
Em resposta, Lula defendeu a soberania nacional e afirmou que cabe apenas aos brasileiros decidir os rumos do país.
“Ele pode gostar de quem quiser no Brasil, mas não deve interferir nas eleições brasileiras”, declarou o presidente.
Apesar das divergências, Lula afirmou que as negociações comerciais entre os dois países continuam sendo conduzidas por canais diplomáticos e técnicos.
Encontro com Zelensky
Outro destaque da agenda foi a reunião reservada entre Lula e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.
Segundo o presidente brasileiro, foi a conversa mais produtiva já realizada entre os dois líderes desde o início da guerra. Lula afirmou ter percebido uma maior disposição do governo ucraniano para buscar uma solução negociada para o conflito.
O presidente também disse que pretende dialogar com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU para defender maior envolvimento das potências na busca pela paz.
Relação com a União Europeia
Lula também se reuniu com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
As conversas foram marcadas pela recente decisão da União Europeia de restringir a importação de carnes, peixes, mel e outros produtos brasileiros por questões sanitárias.
Embora não tenha havido reversão da medida, os lados concordaram em ampliar o acompanhamento político das negociações para acelerar a busca por soluções.
Distância em relação ao G7
Ao final da cúpula, o Brasil aderiu a apenas três das oito declarações conjuntas que poderiam receber o apoio dos países convidados.
Os documentos apoiados por Brasília abordam temas como combate ao câncer, proteção digital de crianças e adolescentes e enfrentamento ao tráfico de drogas.
Segundo interlocutores do governo, a decisão reflete divergências em relação a temas defendidos pelos países do G7, especialmente nas áreas de minerais estratégicos, comércio internacional e relações com a China.
Lula criticou a postura das economias desenvolvidas em relação ao país asiático e afirmou que a expansão da influência chinesa ocorre em espaços que não foram ocupados por outras nações.
Mercosul e Japão avançam em acordo
À margem da cúpula, Lula também se reuniu com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.
Após o encontro, Mercosul e Japão anunciaram oficialmente o início das negociações para um acordo de parceria econômica. As tratativas devem ser formalizadas na próxima cúpula do Mercosul, prevista para ocorrer em Assunção, no Paraguai.
O governo japonês busca ampliar mercados e diversificar suas relações comerciais em meio às mudanças no cenário econômico global, enquanto o Mercosul vê no Japão uma oportunidade de ampliar investimentos e exportações.
A participação de Lula no G7 marcou sua décima presença no fórum e reforçou a estratégia do governo brasileiro de ampliar o diálogo com diferentes blocos econômicos e lideranças internacionais em um cenário global cada vez mais fragmentado.
