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Entre farpas e diplomacia: o saldo de Lula no G7 com Trump, UE e Ucrânia

Presidente Lula em reunião do G7, na França. EPA/Shutterstock O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrou nesta quarta-feira (17/06) sua décima participação em uma cúpula do G7, o…

Entre farpas e diplomacia: o saldo de Lula no G7 com Trump, UE e Ucrânia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concluiu nesta quarta-feira (17) sua participação na cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França. Convidado para o encontro das maiores economias industrializadas do mundo, o chefe de Estado brasileiro participou de reuniões bilaterais, debates multilaterais e encontros com líderes internacionais.

Durante os três dias de evento, Lula se reuniu com representantes da França, Japão, Egito, Ucrânia, União Europeia, Suíça e Interpol. O presidente também teve contato com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre os dois países.

Troca de críticas com Trump

A relação entre Brasil e Estados Unidos esteve entre os assuntos mais acompanhados da cúpula. Após um breve encontro nos corredores do evento, Trump afirmou que o Brasil se tornou um país “politicamente perigoso” e voltou a comentar questões relacionadas ao cenário político brasileiro.

Em resposta, Lula defendeu a soberania nacional e afirmou que cabe apenas aos brasileiros decidir os rumos do país.

“Ele pode gostar de quem quiser no Brasil, mas não deve interferir nas eleições brasileiras”, declarou o presidente.

Apesar das divergências, Lula afirmou que as negociações comerciais entre os dois países continuam sendo conduzidas por canais diplomáticos e técnicos.

Encontro com Zelensky

Outro destaque da agenda foi a reunião reservada entre Lula e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

Segundo o presidente brasileiro, foi a conversa mais produtiva já realizada entre os dois líderes desde o início da guerra. Lula afirmou ter percebido uma maior disposição do governo ucraniano para buscar uma solução negociada para o conflito.

O presidente também disse que pretende dialogar com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU para defender maior envolvimento das potências na busca pela paz.

Relação com a União Europeia

Lula também se reuniu com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa.

As conversas foram marcadas pela recente decisão da União Europeia de restringir a importação de carnes, peixes, mel e outros produtos brasileiros por questões sanitárias.

Embora não tenha havido reversão da medida, os lados concordaram em ampliar o acompanhamento político das negociações para acelerar a busca por soluções.

Distância em relação ao G7

Ao final da cúpula, o Brasil aderiu a apenas três das oito declarações conjuntas que poderiam receber o apoio dos países convidados.

Os documentos apoiados por Brasília abordam temas como combate ao câncer, proteção digital de crianças e adolescentes e enfrentamento ao tráfico de drogas.

Segundo interlocutores do governo, a decisão reflete divergências em relação a temas defendidos pelos países do G7, especialmente nas áreas de minerais estratégicos, comércio internacional e relações com a China.

Lula criticou a postura das economias desenvolvidas em relação ao país asiático e afirmou que a expansão da influência chinesa ocorre em espaços que não foram ocupados por outras nações.

Mercosul e Japão avançam em acordo

À margem da cúpula, Lula também se reuniu com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.

Após o encontro, Mercosul e Japão anunciaram oficialmente o início das negociações para um acordo de parceria econômica. As tratativas devem ser formalizadas na próxima cúpula do Mercosul, prevista para ocorrer em Assunção, no Paraguai.

O governo japonês busca ampliar mercados e diversificar suas relações comerciais em meio às mudanças no cenário econômico global, enquanto o Mercosul vê no Japão uma oportunidade de ampliar investimentos e exportações.

A participação de Lula no G7 marcou sua décima presença no fórum e reforçou a estratégia do governo brasileiro de ampliar o diálogo com diferentes blocos econômicos e lideranças internacionais em um cenário global cada vez mais fragmentado.