Enquanto o Brasil discute a redução da jornada semanal de trabalho e o fim da escala 6×1, países vizinhos já colocam mudanças semelhantes em prática.
Na Colômbia, a carga horária máxima cairá para 42 horas semanais a partir de 15 de julho, concluindo um processo gradual iniciado em 2021. A medida reduziu em seis horas a jornada dos trabalhadores ao longo de cinco anos.
A mudança foi acompanhada por uma reforma trabalhista aprovada em 2025, que ampliou benefícios aos trabalhadores e elevou os custos para as empresas. Entidades empresariais relatam adaptações como fechamento antecipado de estabelecimentos, maior automação de serviços e revisão de planos de contratação.
Apesar das preocupações do setor produtivo, economistas apontam que o mercado de trabalho colombiano segue apresentando resiliência. Dados recentes indicam crescimento do emprego formal e manutenção de níveis historicamente baixos de desemprego.
Segundo análise da Corficolombiana, a redução da jornada contribuiu para a criação de cerca de 787 mil postos de trabalho entre 2022 e 2025. Por outro lado, a instituição observa queda na produtividade, já que o mesmo volume de trabalho passou a ser distribuído entre mais pessoas.
No Chile, uma reforma aprovada em 2023 também prevê a redução gradual da jornada semanal de 45 para 40 horas até 2028. Estudos sobre mudanças anteriores no país indicam que os efeitos sobre emprego e salários foram limitados, especialmente devido ao período de transição concedido às empresas.
Especialistas destacam que experiências internacionais mostram a importância de implementar mudanças de forma gradual, permitindo que empregadores reorganizem processos e adaptem suas operações.
O debate sobre jornadas menores vem ganhando espaço em diferentes partes do mundo, impulsionado pela busca por melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal. No entanto, os impactos variam de acordo com a estrutura econômica, o mercado de trabalho e as regras adotadas por cada país.
