Iniciativas de doação, reaproveitamento e compostagem mostram como alimentos que seriam descartados podem beneficiar milhares de pessoas.
O desperdício de alimentos continua sendo um dos principais desafios globais. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), cerca de 1 bilhão de toneladas de alimentos são descartadas anualmente em todo o mundo, gerando impactos sociais, econômicos e ambientais.
No Brasil, o problema se torna ainda mais preocupante diante dos números da insegurança alimentar. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que quase 7 milhões de brasileiros passam fome, enquanto 18,9 milhões de famílias convivem com algum grau de insegurança alimentar.
Bancos de alimentos ajudam a combater a fome
Uma das principais estratégias para reduzir o desperdício é a atuação dos bancos de alimentos. Essas instituições recebem excedentes da produção agrícola, supermercados, feiras e centrais de abastecimento para redistribuição a pessoas em situação de vulnerabilidade.
Desde 2023, o Governo Federal investiu R$ 25 milhões na modernização desses espaços, que também atendem programas sociais, cozinhas solidárias e entidades assistenciais.
Entre os exemplos de destaque estão o Instituto de Solidariedade para Programas de Alimentação (ISA), em Campinas (SP), e o Sesc Mesa Brasil, considerado o maior banco privado de alimentos da América Latina.
Antes da distribuição, os produtos passam por um processo de seleção para garantir a qualidade e a segurança alimentar dos beneficiados.
Tecnologia e manejo reduzem perdas no campo
Além da redistribuição de alimentos, produtores rurais vêm adotando técnicas para diminuir perdas durante a produção.
Uma das medidas é a colheita realizada no momento ideal de maturação, evitando que frutas e hortaliças estraguem ainda na lavoura. O uso de embalagens adequadas e sistemas de monitoramento também contribui para aumentar a durabilidade dos produtos.
Outro exemplo é o aproveitamento integral da produção. Frutas que não atendem aos padrões estéticos exigidos pelo mercado podem ser destinadas à fabricação de sucos e outros derivados, reduzindo o descarte desnecessário.
Compostagem transforma resíduos em adubo
Quando os alimentos não podem mais ser consumidos, a compostagem surge como uma alternativa sustentável.
O processo transforma resíduos orgânicos em fertilizantes naturais, evitando que toneladas de alimentos sejam enviadas para aterros sanitários. Além de reduzir a produção de gases de efeito estufa, a prática contribui para a preservação do solo e dos recursos hídricos.
Em Campinas (SP), a Usina Verde recebe alimentos descartados e os transforma em adubo utilizado em hortas urbanas, parques e áreas verdes da cidade.
Benefícios para a sociedade e o meio ambiente
Especialistas destacam que a redução do desperdício de alimentos gera benefícios em diferentes áreas. Além de ampliar o acesso à alimentação para populações vulneráveis, a prática ajuda a diminuir impactos ambientais e reduz prejuízos econômicos em toda a cadeia produtiva.
Com iniciativas de doação, melhorias na logística agrícola, educação alimentar e compostagem, o Brasil busca avançar no combate ao desperdício e fortalecer a segurança alimentar da população.
Números do desperdício
- 1 bilhão de toneladas de alimentos são desperdiçadas por ano no mundo;
- Quase 7 milhões de brasileiros passam fome;
- 18,9 milhões de famílias enfrentam insegurança alimentar;
- Entre 8% e 10% das emissões globais de gases de efeito estufa estão relacionadas ao desperdício de alimentos;
- R$ 25 milhões foram investidos na modernização de bancos de alimentos desde 2023.
