O aquecimento recorde dos oceanos já começa a gerar impactos econômicos em diferentes setores, segundo cientistas. O aumento da temperatura das águas ameaça a oferta de peixes, pode encarecer alimentos, prejudica o turismo costeiro e aumenta os riscos para estruturas de geração de energia.
Em agosto, a temperatura média dos oceanos, sem considerar as regiões polares, chegou a 21,07 ºC, igualando o recorde registrado em março de 2024, segundo o observatório europeu Copernicus. No hemisfério norte, o verão de 2026 também foi o mais quente desde 1993.
Um dos efeitos mais diretos ocorre na pesca. Ondas de calor marítimas podem provocar doenças e morte de espécies ou fazer com que os peixes migrem para águas mais frias. A redução da oferta pode levar ao fechamento de áreas de pesca e aumentar os preços dos alimentos, afetando também indústrias de processamento, exportadores e comerciantes.
No Marrocos, por exemplo, o aumento da temperatura das águas contribuiu para a redução das populações de sardinha, segundo especialistas. O cenário levou à proibição de exportações e à escassez do produto no mercado europeu.
O turismo também é afetado. O aumento da temperatura dos mares provoca o branqueamento de corais e pode degradar recifes, comprometendo atividades como mergulho e observação da vida marinha. Hotéis, restaurantes, agências e trabalhadores de regiões dependentes do turismo costeiro podem sofrer as consequências.
A infraestrutura energética também está sujeita aos efeitos do aquecimento. Na França, reatores nucleares já precisaram ser desligados devido à proliferação de águas-vivas, que podem interferir nos sistemas que utilizam água do mar para o funcionamento das usinas.
Segundo pesquisadores, o principal fator por trás do aumento das temperaturas oceânicas é a mudança climática provocada pela atividade humana. Fenômenos naturais, como o El Niño, podem intensificar temporariamente o aquecimento.
Especialistas afirmam que governos, empresas e comunidades costeiras precisarão ampliar os investimentos em adaptação para enfrentar os impactos sobre produção, infraestrutura e renda. Ao mesmo tempo, defendem que a redução das emissões de gases de efeito estufa continue sendo a principal estratégia para conter o avanço do aquecimento dos oceanos.
