Toda tarde de domingo, a pista de skate do Parque Alberto Simões, na Zona Norte de São José dos Campos (SP), ganha um movimento diferente. Mais de 50 crianças se reúnem para aprender e praticar patinação com a Turma dos Pacotinhos, projeto social criado para aproximar os jovens do esporte de forma gratuita.
A iniciativa nasceu de uma relação entre padrinho e afilhado. Em dezembro de 2025, o empresário Davis Tomé, de 49 anos, decidiu presentear Miguel Borba, então com nove anos, com um par de patins. O detalhe é que nenhum dos dois sabia patinar. Eles começaram a aprender juntos e, em pouco tempo, Miguel chamou a atenção de outras crianças.
“Para minha surpresa, ele se destacou muito, se identificou, e outras crianças começaram a querer andar também. Percebi que ele atraía os amigos pelo fato de andar bem. Daí surgiu a ideia do projeto”, conta Davis.
O nome da iniciativa vem do apelido dado por Davis ao afilhado. O que começou como uma atividade entre os dois cresceu com a chegada de voluntários e novos praticantes. Atualmente, cerca de 80 crianças participam do projeto, que também recebe adultos.
Patins e equipamentos são emprestados
A participação é gratuita. Para entrar no projeto, é necessário preencher uma ficha de inscrição por meio das redes sociais da Turma dos Pacotinhos. Crianças que não possuem patins ou equipamentos de segurança podem utilizar materiais disponibilizados pelo grupo.
Além dos encontros aos domingos no Parque Alberto Simões, a iniciativa mantém atividades em outros pontos de São José dos Campos ao longo da semana. Há aulas para iniciantes, treinos livres, encontros na Linha Verde e atividades no Poliesportivo da Vila Tesouro.
Entre os monitores estão pessoas que começaram a patinar justamente com o projeto. É o caso de Natan Santos, que não tinha experiência com o esporte e hoje ajuda os iniciantes.
“Eu sempre tive vontade de andar de patins, mas nunca tive a oportunidade. Vi o Davis e o Miguel andando aqui no parque e comecei. Na primeira vez já gostei e me identifiquei”, relata.
Esporte como ferramenta de transformação
Para os voluntários, a iniciativa vai além de ensinar manobras e técnicas de patinação. O esporte também é visto como uma forma de desenvolver confiança, coragem e resiliência, além de incentivar crianças e adultos a se afastarem um pouco das telas.
Rafael Lemes, que voltou a patinar depois de praticar na infância, passou a ajudar nas aulas. “É muito bom ver a criançada evoluindo. Lembra a minha infância. Além disso, é uma forma de mantê-los longe das telas de celulares e computadores”, afirma.
Miguel, o “Pacotinho” que deu origem ao projeto, hoje já se arrisca em saltos e manobras na pista. Para ele, o medo das primeiras quedas ficou para trás.
“Eu não tenho mais medo”, diz o garoto.
Davis afirma que a própria experiência com a patinação mudou sua maneira de lidar com desafios. Para ele, a principal lição que o projeto transmite é simples: cair faz parte do processo, mas é preciso levantar e continuar.
“Caiu? Levanta, não liga para a queda e continua. O esporte transforma, ensina a superar limites, e é isso que eu defendo para essas crianças”, conclui.
