J. Paul Getty foi um dos homens mais ricos do mundo no século 20, mas sua vida esteve longe da imagem tradicional de luxo e ostentação. Dono de uma fortuna estimada em US$ 4 bilhões quando morreu, em 1976, o magnata americano passou seus últimos anos recluso em uma mansão de 72 cômodos na Inglaterra.
Em Sutton Place, propriedade de 700 acres em Surrey, Getty cercou-se de obras de grandes mestres da pintura, cães de guarda e um elaborado sistema de segurança. Portas e janelas tinham proteção, havia cercas eletrificadas e até placas de “Proibida a Entrada” espalhadas pelo terreno.
Apesar da riqueza, Getty era conhecido pela avareza. Chegava a esperar do lado de fora de exposições caninas para pagar ingressos mais baratos e evitava restaurantes que cobravam taxas extras pela apresentação de orquestras.
Sua fortuna começou a crescer quando ele tinha 24 anos, após a descoberta de petróleo em uma propriedade da família em Oklahoma. Em 1966, entrou para o Guinness como o homem mais rico do mundo.
Getty também enfrentou episódios dramáticos na família. Em 1973, seu neto John Paul Getty 3º, então com 16 anos, foi sequestrado na Itália. Os criminosos chegaram a enviar parte da orelha do jovem a um jornal e exigiram um resgate milionário. Getty inicialmente se recusou a pagar, argumentando que tinha outros netos e que isso poderia incentivar novos sequestros.
Mesmo cercado por símbolos de riqueza, o bilionário dizia não considerar o dinheiro uma fonte de felicidade. Em entrevista à BBC, afirmou que alguns de seus melhores momentos haviam sido gratuitos, como ficar na praia esperando uma onda para surfar.
Getty morreu aos 83 anos, deixando uma das maiores fortunas privadas de sua época — e uma história marcada pela combinação de riqueza extrema, solidão, medo e obsessão por segurança.
