terça-feira, 15 de setembro de 2026
São Paulo 16°C ↓16° ↑22°
Últimas notícias
ESPORTES Mourinho diz que Vini Jr. ainda busca melhor versão no Real Madrid: "Existe outro Vinicius" ESPORTES Giants atropelam Cowboys e dão início à era Harbaugh com vitória na NFL ECONOMIA Do peixe à energia: como o calor recorde dos oceanos pode encarecer alimentos e afetar turismo ECONOMIA Criminosos criam site e app falsos do Mercado Livre para invadir celulares de vítimas ECONOMIA Inteligência artificial está cada vez mais difícil de se controlar. Até quando os humanos vão se manter no comando? ENTRETENIMENTO ​Twenty One Pilots encerra Rock in Rio, confirma evolução, mas toca para menor plateia de headliner desta edição ENTRETENIMENTO Último dia de Rock in Rio tem potência das mulheres, muita chuva e Twenty One Pilots maduro; veja resumo ESPORTES Análise: Grêmio repete erros, perde em casa para o Vasco e afunda em cenário de rebaixamento ESPORTES Mourinho diz que Vini Jr. ainda busca melhor versão no Real Madrid: "Existe outro Vinicius" ESPORTES Giants atropelam Cowboys e dão início à era Harbaugh com vitória na NFL ECONOMIA Do peixe à energia: como o calor recorde dos oceanos pode encarecer alimentos e afetar turismo ECONOMIA Criminosos criam site e app falsos do Mercado Livre para invadir celulares de vítimas ECONOMIA Inteligência artificial está cada vez mais difícil de se controlar. Até quando os humanos vão se manter no comando? ENTRETENIMENTO ​Twenty One Pilots encerra Rock in Rio, confirma evolução, mas toca para menor plateia de headliner desta edição ENTRETENIMENTO Último dia de Rock in Rio tem potência das mulheres, muita chuva e Twenty One Pilots maduro; veja resumo ESPORTES Análise: Grêmio repete erros, perde em casa para o Vasco e afunda em cenário de rebaixamento

Por que o Brasil ainda não sabe quantos entregadores se acidentam no trabalho?

Acidente fez Silvio Pinheiro abandonar temporariamente as entregas Vitor Serrano/BBC Após um acidente, o entregador Silvio Luiz Pinheiro pensou em desistir da profissão. Quando entrou na central para devolver uma…

Por que o Brasil ainda não sabe quantos entregadores se acidentam no trabalho?

Um acidente de bicicleta fez Silvio Luiz Pinheiro interromper temporariamente o trabalho como entregador por aplicativo. Após uma queda em São Paulo, ele machucou a clavícula e o cotovelo e decidiu voltar ao emprego com carteira assinada para ter acesso a convênio médico e maior segurança em caso de afastamento.

O acidente aconteceu quando o freio dianteiro da bicicleta elétrica travou na Avenida Sumaré, na Zona Oeste da capital. Ao tentar desviar de pedestres, Silvio perdeu o controle e caiu. Ao devolver a bicicleta alugada, ele afirma que sentiu falta de apoio por parte da empresa responsável pelo equipamento.

A experiência fez o entregador repensar a profissão. “Voltei para a CLT por causa do convênio, porque a plataforma não te dá essa segurança”, contou.

Brasil ainda não sabe quantos entregadores sofrem acidentes

O caso de Silvio expõe um problema maior: o país ainda não consegue dimensionar quantos entregadores sofrem acidentes enquanto trabalham.

Segundo o IBGE, 1,7 milhão de pessoas trabalhavam por meio de aplicativos em 2024, número 25,4% maior que o registrado dois anos antes. Desse total, cerca de 485 mil eram entregadores.

O problema é que as bases oficiais de acidentes de trânsito e de atendimentos de saúde não identificam, de forma consolidada, se a vítima estava trabalhando para uma plataforma no momento da ocorrência.

Em São Paulo, por exemplo, acidentes fatais envolvendo ciclistas passaram de 320 em 2021 para 409 em 2025, alta de 27,8%. Os números, porém, incluem todos os ciclistas e não permitem separar trabalhadores de aplicativo dos demais.

O Ministério Público do Trabalho tenta melhorar esse registro. Em 2025, o Ministério da Saúde orientou profissionais a informar nos atendimentos se a vítima trabalhava para aplicativos e se estava em atividade no momento do acidente. Ainda assim, não há estatísticas consolidadas sobre os resultados da medida.

Falta de proteção preocupa trabalhadores

Para o procurador do trabalho Rodrigo Castilho, do MPT, a falta de informações das próprias plataformas também dificulta a compreensão do problema. Segundo ele, as empresas não fornecem dados suficientes sobre quantidade de trabalhadores ativos, jornada ou acidentes ocorridos durante as entregas.

Enquanto a regulamentação específica dos entregadores continua sem consenso, trabalhadores seguem expostos aos riscos do trânsito sem contar necessariamente com a mesma proteção previdenciária de empregados formais.

Silvio voltou às entregas e hoje prefere trabalhar à noite, quando há menos trânsito e temperaturas mais amenas. Mesmo após o acidente, continua encarando os riscos diariamente para atingir sua meta de renda.

“A gente anda com cuidado o tempo todo, mas é uma coisa que um dia pode acontecer”, afirma.