A América Latina se prepara para um El Niño de intensidade excepcional, que pode superar o fenômeno registrado entre 2015 e 2016, considerado até agora um dos mais fortes da história. O evento deve ganhar força a partir de setembro e já provoca impactos em partes do Caribe e da Amazônia.
O fenômeno, causado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico tropical, costuma aumentar as chuvas no sul da América do Sul e favorecer condições mais secas no norte. Esse padrão pode afetar diretamente agricultura, geração de energia, pesca e transporte.
Nos Pampas argentinos, Paraguai, Uruguai e sul do Brasil, o aumento das chuvas pode beneficiar plantações de soja, milho e trigo, ao melhorar a umidade do solo. Em excesso, porém, a água pode provocar enchentes, doenças nas lavouras e dificuldades para o acesso às propriedades rurais.
Na Amazônia, o cenário é oposto. A possibilidade de períodos mais secos ameaça o nível dos rios, importantes para o transporte de grãos e outras mercadorias. A redução da água também pode aumentar os custos logísticos e dificultar o escoamento da produção agrícola.
O setor de energia também pode sentir os efeitos. Mais chuvas no sul do Brasil e no nordeste da Argentina podem elevar os níveis dos rios e favorecer a geração hidrelétrica. Já temperaturas mais altas e tempo seco em outras áreas podem aumentar a demanda por gás natural.
No Canal do Panamá, a previsão de seca preocupa a logística internacional. Para preservar os estoques de água, a autoridade responsável pode manter restrições ao calado dos navios, obrigando embarcações a transportar menos carga e elevando os custos do comércio.
Os especialistas, porém, ressaltam que cada El Niño produz impactos diferentes. A intensidade do fenômeno e a distribuição das chuvas serão determinantes para definir quais regiões terão benefícios e quais enfrentarão maiores prejuízos.
