A adoção acelerada da inteligência artificial no ambiente profissional criou um efeito inesperado: conteúdos produzidos rapidamente, com aparência profissional, mas que entregam pouco valor e acabam gerando retrabalho. O fenômeno ganhou um nome: workslop, termo que combina “work” (trabalho) e “slop” (malfeito).
Um levantamento da BetterUp Labs em parceria com a Stanford Social Media Lab aponta que 40% dos trabalhadores já receberam algum conteúdo considerado workslop. Entre eles, a estimativa é de que 15,4% de todo o material recebido se enquadre nessa categoria.
O problema não está necessariamente no uso da IA, mas na forma como ela é utilizada. Relatórios genéricos, informações sem contexto, erros e conclusões superficiais precisam ser revisados por outras pessoas, fazendo com que o trabalho apenas mude de mãos.
Segundo a pesquisa, cada ocorrência de workslop consome, em média, 1 hora e 56 minutos para ser corrigida, com um custo estimado de US$ 186 por mês por funcionário afetado. Além da perda de produtividade, o conteúdo malfeito pode prejudicar a confiança entre colegas e a reputação profissional de quem o produz.
Especialistas também alertam para um risco mais amplo: a dependência excessiva da IA pode reduzir o desenvolvimento de habilidades como pensamento crítico, interpretação e capacidade de julgamento — especialmente entre profissionais em início de carreira.
A saída, segundo os pesquisadores, não é abandonar a tecnologia, mas utilizá-la como ferramenta de apoio, mantendo a supervisão humana. Bons resultados dependem de fornecer contexto, fazer perguntas mais precisas, verificar as respostas e entender as limitações dos sistemas.
Nas empresas, a tendência é que o debate avance da simples adoção da IA para temas como governança, segurança de dados, treinamento e uso responsável. A ideia é fazer com que a tecnologia realmente economize tempo — e não apenas produza mais trabalho para alguém corrigir depois.
