Estreia nesta quinta-feira nos cinemas brasileiros “Honestino”, cinebiografia dirigida por Aurélio Michiles e protagonizada por Bruno Gagliasso. O filme retrata a trajetória de Honestino Monteiro Guimarães, estudante e militante que desapareceu aos 26 anos, em 1973, durante a ditadura militar.
Nascido em Itaberaí (GO), Honestino mudou-se com a família para Brasília em 1960. Ainda no ensino médio, aproximou-se do movimento estudantil e, aos 18 anos, ingressou em primeiro lugar no curso de Geologia da Universidade de Brasília (UnB).
Durante a vida universitária, participou de manifestações e greves, foi preso diversas vezes e chegou à presidência da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília. Em 1968, foi detido durante a invasão da UnB e posteriormente desligado da universidade.
Com o endurecimento da repressão após o AI-5, passou a viver na clandestinidade. Em 1971, mesmo escondido, foi eleito presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Dois anos depois, foi preso pelo Centro de Informações da Marinha (Cenimar) e desapareceu. Seu corpo nunca foi encontrado.
A morte foi reconhecida oficialmente em 1996, e Honestino recebeu anistia política póstuma em 2014. Em 2024, a UnB anulou seu desligamento e concedeu a ele, post mortem, o título de geólogo.
Um nome que virou símbolo de Brasília
A trajetória de Honestino também está presente em diferentes espaços da capital federal. A UnB batizou seu Teatro de Arena e seu Diretório Central dos Estudantes com o nome do ex-aluno. Em 2022, a antiga Ponte Costa e Silva também passou oficialmente a se chamar Ponte Honestino Guimarães.
O novo filme mistura ficção e documentário para recuperar essa trajetória e discutir a memória da resistência estudantil durante a ditadura. A produção tem roteiro de Aurélio Michiles e André Finotti e produção de Nilson Rodrigues.
