A Chevrolet já confirmou que o Captiva EV será produzido em Horizonte (CE), mesma fábrica responsável pelo Spark EUV. Curiosamente, ambos os modelos resgatam nomes conhecidos da marca, mas não possuem qualquer relação com seus antecessores.
O g1 avaliou o SUV elétrico, atualmente vendido por cerca de R$ 220 mil, e identificou cinco pontos que poderiam ser aprimorados antes do início da produção nacional.
Um Captiva apenas no nome
Quem acredita que o novo Captiva EV não tem ligação com o modelo lançado em 2008 está correto. O SUV é baseado no Wuling Starlight S, veículo desenvolvido na China e adaptado visualmente para seguir a identidade da Chevrolet.
O modelo conta com motor elétrico dianteiro de 201 cv e 31,6 kgfm de torque. O desempenho é discreto para a categoria: acelera de 0 a 100 km/h em 9,9 segundos e atinge velocidade máxima de 150 km/h.
As baterias de lítio-ferro-fosfato possuem capacidade de 60 kWh e garantem autonomia de até 304 km segundo o padrão do Inmetro. Embora adequado, o conjunto já encontra concorrentes que oferecem mais potência e autonomia por valores semelhantes.
Segurança eficiente, mas com espaço para evolução
O Captiva EV oferece um pacote de segurança completo, incluindo controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência e assistente de permanência em faixa.
No entanto, o sistema de correção de faixa poderia apresentar respostas mais rápidas e refinadas. As câmeras de visão 360 graus ajudam nas manobras e reduzem o risco de pequenos acidentes, enquanto o farol alto automático ajusta a iluminação para evitar ofuscamento de outros motoristas.
Um ponto negativo é a ausência de sensores de estacionamento dianteiros, disponíveis apenas na traseira.
Multimídia precisa seguir o padrão Chevrolet
O maior estranhamento está na cabine. Diferentemente dos demais veículos da Chevrolet, o Captiva EV não utiliza o conhecido sistema MyLink.
Modelos como Onix, Sonic e Blazer EV compartilham uma identidade visual e operacional que facilita a adaptação do motorista. No Captiva, a central multimídia segue a lógica do modelo chinês de origem, com menus organizados em blocos verticais que lembram tablets genéricos.
A experiência não supera a oferecida atualmente pela Chevrolet e, por isso, a adoção do sistema MyLink seria uma melhoria importante para a versão nacional.
Conectividade precisa avançar
Outro ponto que compromete a experiência é a ausência de carregador por indução. Isso obriga o uso constante de cabos para conectar o smartphone, reduzindo a praticidade e a percepção de sofisticação do interior.
Além disso, o veículo não oferece Android Auto nem Apple CarPlay sem fio, recursos que já se tornaram praticamente obrigatórios em veículos dessa faixa de preço.
A Chevrolet também poderia considerar a inclusão de Wi-Fi embarcado, tecnologia já presente em outros modelos da marca.
Qualidade dos materiais merece ser preservada
Apesar das críticas, o Captiva EV apresenta um excelente padrão de acabamento interno. Alguns materiais utilizados no console central chegam a superar os encontrados na própria Blazer EV.
Ao nacionalizar a produção e buscar fornecedores locais, a Chevrolet deve preservar esse nível de qualidade, além de manter itens valorizados pelos consumidores, como o teto solar panorâmico.
Cluster pequeno compromete a experiência
Uma tendência observada em diversos veículos atuais é a busca pelo minimalismo. No entanto, muitas fabricantes acabam confundindo minimalismo com redução excessiva de elementos.
No Captiva EV, o quadro de instrumentos é pequeno e transmite menos informações de forma clara ao motorista. Um cluster maior, mais alinhado ao padrão visual da Chevrolet, melhoraria a ergonomia e reforçaria a sensação de qualidade.
Direção confortável, mas sem esportividade
A direção possui comportamento bastante neutro e pouco comunicativo. Embora isso possa desagradar motoristas mais entusiastas, dificilmente será um problema para o público-alvo do modelo.
Quem procura um SUV elétrico normalmente prioriza eficiência, autonomia e conforto, e não necessariamente uma condução esportiva.
Suspensão e calibração merecem elogios
Mesmo sendo um projeto de origem chinesa, o ajuste de suspensão realizado para o mercado brasileiro foi bem executado. As rodas de grandes dimensões não comprometem significativamente o conforto, absorvendo bem as irregularidades do asfalto.
Outro destaque é a calibração do conjunto elétrico. A resposta entre acelerador, frenagem regenerativa e desaceleração ocorre de forma natural, proporcionando uma experiência semelhante à de veículos a combustão e evitando os desconfortáveis “trancos” comuns em alguns elétricos.
Neste aspecto, a Chevrolet acertou e deveria manter essa configuração na versão nacional.
As 5 melhorias sugeridas para o Captiva EV nacional
- Adoção do sistema multimídia MyLink;
- Android Auto e Apple CarPlay sem fio;
- Carregador de celular por indução;
- Cluster de instrumentos maior;
- Ar-condicionado digital de duas zonas.
Se implementar essas mudanças sem comprometer os pontos positivos do projeto, a Chevrolet poderá tornar o Captiva EV mais competitivo no crescente mercado de SUVs elétricos do Brasil.
