A crise política na Fifa ganhou um novo capítulo com uma manifestação conjunta de Uefa, AFC e Concacaf contra a condução da entidade pelo presidente Gianni Infantino.
Em uma carta dirigida à comunidade do futebol, as três confederações afirmaram que o crescimento do esporte nos últimos anos foi resultado de um trabalho coletivo e defenderam uma liderança baseada em transparência, prestação de contas e respeito às instituições.
O principal ponto de conflito é o projeto apresentado por Infantino para criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma empresa que reuniria operações comerciais de grandes competições da entidade e poderia receber investimentos privados.
A proposta previa a venda de participações da nova companhia e tinha potencial para levantar até US$ 4,2 bilhões. A ideia, porém, provocou forte reação de dirigentes e organizações do futebol mundial.
Uefa lidera oposição
A Uefa foi a principal voz contra o projeto e chegou a ameaçar boicotar competições da Fifa caso a proposta não fosse abandonada. A confederação europeia também passou a defender abertamente a saída de Infantino.
Concacaf e AFC também demonstraram preocupação com a forma como a proposta foi conduzida, especialmente pela falta de consulta às associações e aos órgãos responsáveis pela governança da Fifa.
Diante da pressão, Infantino desistiu da criação da FFE poucos dias depois de apresentar o projeto.
Mesmo com a desistência, a crise não terminou. As confederações criticam principalmente o processo de elaboração da proposta e consideram insuficiente a explicação de que houve apenas uma “falha de comunicação”.
Como a crise pode afetar a eleição
Infantino anunciou em abril que disputará a reeleição para um quarto e último mandato. Até então, contava com apoios importantes de confederações como Conmebol, AFC e CAF, que juntas representam uma quantidade significativa dos votos.
O cenário mudou com a oposição da Uefa e as críticas da Concacaf. A possibilidade de uma candidatura rival passou a ganhar força, embora ainda não exista uma definição sobre quem poderia enfrentar Infantino.
Um dos nomes citados nos bastidores é Victor Montagliani, presidente da Concacaf e um dos signatários da carta crítica à atual gestão.
O que pode acontecer agora
A Fifa afirma que Infantino continua tendo o apoio do Conselho e do secretário-geral e anunciou que fará uma análise interna sobre o episódio.
As confederações, porém, defendem que a investigação seja conduzida por uma terceira parte independente, e não pela própria estrutura da Fifa.
A crise também pode chegar ao Conselho da entidade. Uma reunião extraordinária para discutir a saída do presidente pode ser convocada caso 19 dos 37 integrantes solicitem a medida.
Por enquanto, Infantino permanece no cargo e a eleição prevista para março será o principal momento para medir o tamanho da oposição. A disputa, que até recentemente parecia favorável ao atual presidente, agora ganhou um componente político que pode alterar o equilíbrio de forças dentro do futebol mundial.
