A moda pode ter um papel importante na qualidade de vida das pessoas mais velhas, especialmente quando considera conforto, representatividade e diversidade de corpos. Uma pesquisa da organização britânica Age Without Limits mostra, porém, que o público maduro ainda se sente pouco representado pelas marcas de roupas fitness.
O levantamento ouviu 4 mil adultos no Reino Unido, entre 16 e 20 de janeiro de 2026. Segundo os dados, uma em cada cinco pessoas com 45 anos ou mais afirma que sua faixa etária é excluída da publicidade de roupas esportivas.
A percepção é ainda mais forte entre os consumidores de 55 a 64 anos: cerca de metade afirma que ser ignorado como potencial cliente é algo frequente entre as empresas.
O problema não está apenas na publicidade. Os entrevistados também consideram que o setor fitness representa pior as pessoas mais velhas do que segmentos como tecnologia, beleza, hotelaria e moda em geral.
A falta de representação pode ter consequências práticas. Quando campanhas mostram exclusivamente pessoas jovens e com corpos considerados dentro de um padrão estético, acabam reforçando a ideia de que academias, esportes e atividades físicas não são espaços destinados aos mais velhos.
E existe também uma oportunidade comercial. No Reino Unido, consumidores com mais de 50 anos respondem por mais da metade dos gastos de consumo. Entre os participantes da pesquisa, 26% afirmaram que poderiam se tornar clientes fiéis de marcas que representassem pessoas da mesma faixa etária em suas campanhas.
Para Harriet Bailiss, codiretora da Age Without Limits, o público acima dos 50 anos está cada vez mais ativo e possui um poder de compra significativo, mas ainda é frequentemente ignorado pelas marcas.
No Brasil, o cenário também pode ser percebido no mercado de moda. Muitas peças ainda parecem desenvolvidas pensando principalmente em corpos jovens e dentro de padrões específicos, enquanto consumidores mais velhos ou com corpos diversos encontram dificuldades relacionadas a modelagem, numeração e, principalmente, conforto.
Mais do que colocar modelos idosos em campanhas, portanto, uma moda realmente inclusiva precisa considerar as necessidades desse público no desenvolvimento das próprias peças. Roupas confortáveis, funcionais e adequadas a diferentes corpos podem ajudar a tornar a prática de exercícios e outras atividades mais acessível — e reforçar que envelhecer não significa deixar de se movimentar, se cuidar ou se expressar por meio da moda.
