A implementação de um sistema para combater ligações indesejadas abriu uma disputa entre operadoras de telefonia e chegou à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Pelo menos sete empresas afirmam que chamadas legítimas estão sendo bloqueadas pelo sistema anti-spam da Vivo, que diz impedir apenas ligações em massa feitas sem identificação adequada.
O debate ocorre enquanto o setor busca reduzir o volume de chamadas automáticas, conhecidas como robocalls, que costumam desligar poucos segundos após serem atendidas e são amplamente utilizadas em campanhas de telemarketing e golpes.
Uma das principais apostas da Anatel é o Origem Verificada, sistema que autentica chamadas em tempo real e confirma que o número exibido pertence realmente à empresa que está realizando a ligação. Em junho de 2026, a ferramenta autenticou 6,6 bilhões de chamadas, segundo a ABR Telecom.
Atualmente, a adesão ao sistema é obrigatória apenas para empresas que realizam mais de 500 mil ligações por mês. A previsão é que, a partir de outubro de 2028, todas as empresas passem a utilizar a autenticação em ligações para consumidores.
Enquanto a implementação não é concluída, consumidores ainda podem recorrer a ferramentas como o Não Me Perturbe, recursos de bloqueio disponíveis em celulares Android e iPhone e aplicativos de identificação de chamadas para reduzir o número de ligações indesejadas.
Especialistas apontam que um dos principais desafios é o chamado spoofing numérico, prática em que criminosos alteram o número de origem das ligações para dificultar o bloqueio e aumentar a chance de que a chamada seja atendida.
A expectativa da Anatel é que a ampliação do Origem Verificada reduza significativamente as chamadas fraudulentas e facilite a identificação de empresas legítimas, oferecendo mais segurança aos consumidores.
