O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, encerrou sua agenda oficial no Brasil participando do Brazil-Korea Business Roundtable, encontro que reuniu cerca de 30 executivos brasileiros e sul-coreanos para discutir investimentos e ampliar a cooperação econômica entre os dois países.
Mediado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, o evento foi organizado em três painéis temáticos — indústria e infraestrutura, tecnologias avançadas e bens de consumo —, nos quais representantes de grandes empresas apresentaram diretamente aos chefes de Estado propostas de parceria e expansão dos negócios bilaterais.
Ao final da reunião, foram assinados memorandos de entendimento entre empresas e instituições dos dois países.
Indústria, tecnologia e alimentos lideraram as discussões
Os debates reuniram executivos de empresas como Hyundai, Samsung, LG Electronics, Embraer, Vale, Suzano, WEG, Eurofarma, JBS, Minerva Foods e Ambev.
Entre os principais temas discutidos estiveram:
- infraestrutura e transição energética;
- inteligência artificial e semicondutores;
- saúde e indústria farmacêutica;
- setor aeroespacial;
- alimentos, bebidas e cosméticos.
Embora Brasil e Coreia do Sul enfrentem atualmente tarifas impostas pelos Estados Unidos, o assunto não fez parte das discussões. Após o encontro, Alckmin afirmou que o tema “não esteve na pauta”.
Acordos firmados
Entre os memorandos assinados estão:
- ApexBrasil e KOTRA: fortalecimento da cooperação em comércio e investimentos;
- Embrapii/Finep e KIAT: projetos conjuntos em inovação, inteligência artificial e descarbonização;
- Eurofarma e SK Biopharmaceuticals: parceria em neurociências e desenvolvimento de terapias para epilepsia com apoio de inteligência artificial;
- JBS e Highland Foods: ampliação da presença da empresa brasileira no mercado sul-coreano;
- Embraer e Korea Aerospace Industries (KAI): cooperação para futuras parcerias na indústria aeroespacial.
Minerva defende abertura do mercado de carne bovina
Durante o painel de bens de consumo, o CEO da Minerva Foods, Fernando Queiroz, destacou que a Coreia do Sul importa mais de 60% dos alimentos que consome e depende principalmente de Estados Unidos e Austrália para o abastecimento de carne bovina.
Segundo ele, o Brasil pode oferecer maior segurança no fornecimento e contribuir para reduzir essa dependência, desde que avance o acordo sanitário necessário para a abertura do mercado sul-coreano à carne brasileira.
JBS aposta em expansão além das proteínas
O presidente do conselho da JBS, Jerry O’Callaghan, afirmou que a companhia já possui estrutura para ampliar sua atuação na Ásia e destacou oportunidades não apenas na exportação de carnes, mas também de produtos como biodiesel, colágeno utilizado pela indústria de cosméticos e ingredientes proteicos para alimentação.
A estratégia foi reforçada pelo acordo firmado com a sul-coreana Highland Foods, que prevê cooperação comercial de longo prazo.
Ambev pede ambiente regulatório estável
Representando a Ambev, a vice-presidente Carla Crippa afirmou que cadeias globais de produção dependem de previsibilidade regulatória e segurança jurídica para manter investimentos de longo prazo.
Ela lembrou que a Ambev integra o mesmo grupo controlador da cervejaria sul-coreana OB, destacando o potencial de aprofundamento da parceria entre os dois países.
Cooperação em tecnologia e setor aeroespacial
Na área de inovação, a Eurofarma e a SK Biopharmaceuticals anunciaram uma parceria para ampliar o desenvolvimento de tratamentos em neurociências na América Latina.
Já a Embraer e a Korea Aerospace Industries formalizaram um acordo para identificar novas oportunidades de cooperação no setor aeroespacial.
Durante o encontro, Alckmin também destacou que a Coreia do Sul foi o primeiro país asiático a adquirir o cargueiro militar KC-390, da Embraer, e lembrou que um foguete sul-coreano deverá ser lançado ainda este ano a partir do Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão.
